Exército israelense prende líder de milícia do Hamas

Mentor de vários ataques suicidas, Maher Uda foi detido na Cisjordânia em duro golpe contra grupo islâmico no território

Reuters, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

RAMALLAH

Um dos fundadores do braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedin al-Qassam, foi detido ontem na Cisjordânia por forças israelenses. Maher Uda estaria por trás de 70 mortes de israelenses em atentados suicidas. Sua prisão, afirma Israel, representaria o golpe final na estrutura do Hamas na Cisjordânia.

O Hamas afirmou que a prisão é um sinal de "medo e covardia" de Israel. O grupo ainda acusou seu rival palestino, o Fatah, de ter colaborado com a operação.

"Depois de dezenas de tentativas fracassadas, (a prisão de Uda) jamais poderia ter sido realizada sem um enorme apoio da estrutura do Fatah na Cisjordânia, especialmente em Ramallah", acusou o Hamas em comunicado divulgado. A Autoridade Palestina (AP) não quis comentar a prisão.

Uda havia sido detido em 1998 pela AP, controlada pelo Fatah, mas foi libertado pouco depois. A detenção de ontem foi feita em uma operação conjunta entre o Shin Bet, o serviço de inteligência interno de Israel, e o Exército israelense.

Segundo o governo de Israel, a retirada de cena de Uda significará o fim da capacidade operacional do Hamas na Cisjordânia. Em 2007, o grupo islâmico expulsou o rival Fatah da Faixa de Gaza. Com a cisão, o Hamas passou a governar o território palestino mediterrâneo, enquanto o Fatah, a Cisjordânia.

Ibrahim Hamed, líder supremo do Hamas na Cisjordânia, havia sido preso em 2006. Segundo o grupo islâmico, essas detenções são "um preço que deve ser pago com orgulho por causa da honra e determinação" da luta contra a ocupação israelense.

Distúrbios. Após semanas de confrontos entre manifestantes palestinos e forças de segurança de Israel em Jerusalém Oriental, a polícia israelense exortou líderes dos dois lados a deixar de fazer declarações que voltem a provocar distúrbios. "Agora temos de mostrar responsabilidade e evitar certos comentários que levam a uma escalada desnecessária", disse o chefe da polícia, Dudi Cohen.

Ele disse esperar novos confrontos hoje em Jerusalém Oriental. Cohen garantiu que a polícia está preparada para agir.

A violência na região, considerada sagrada por judeus e muçulmanos, acentuou-se depois que Israel incluiu locais considerados palestinos em sua lista de monumentos nacionais. A AP reivindica Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino. O atual governo de Israel, porém, não aceita a exigência. /

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