Exército libanês não irá desarmar o Hezbollah

O exército libanês tem seus motivos para não querer desarmar o Hezbollah. Como os responsáveis pela Força Interina das nações Unidas para o Líbano insistem que essa não é a sua missão, há que acreditar que tal objetivo, que a comunidade internacional considera como uma das principais ações no sentido de conseguir uma estabilidade duradoura da situação regional, não está em condições de ser atingido. O general Saleh Hage Sleiman, diretor de orientação do ministério da Defesa, e porta-voz do exército libanês, explicou em entrevista ao jornal Le Monde, as razões pelas quais tal objetivo está fora de alcance no contexto atual. O Partido de Deus e seus combatentes são parte integrante do "povo libanês", e o exército do Líbano é incapaz de resistir aos ataques do Hezbollah. O general explica que os "combatentes da resistência" são "engenheiros, médicos, comerciantes, agricultores e professores que fazem a guerra quando eles devem fazê-la, e que depois voltam à suas vidas normais". Se não há então como determinar aonde eles moram, é mais difícil ainda desarmá-los. Ao contrário, o exército deve "protegê-los, pois fazem parte da nação". Já que o exército terá os meios de resistir a Israel, a questão dos combatentes armados do Hezbollah não será mais colocada, assegura o Sleiman. O general, xiita, não cria ilusões. "nós temos uma experiência de 20 anos com o Hezbollah: nunca vimos suas armas!" Os militares libaneses esperam impacientes pelo envio das tropas da "Finul reforçada". Eles sabem que a presença de milhares de soldados estrangeiros orá esfriar a questão militar.O Líbano tem uma vasta experiência com a Finul, e espera relações "de cooperação e apoio" com os capacetes azuis. O general comenta que a população do sul perdeu as ilusões quanto à vontade da Finul de protegê-los. "Será necessário algum tempo para que a confiança retorne." Militares libaneses estarão presentes nos deslocamentos das tropas da ONU, que só irão usar a força se houver um consenso com o exército libanês. Já as tropas do Líbano não participarão das patrulhas comuns, nem do controle realizado nos check-points, postos de controle, que serão responsabilidade dos capacetes azuis.

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