Exército mata 19 dissidentes no interior da Síria

Tanques abrem fogo contra manifestantes em Homs, terceira maior cidade do país, e em Deraa; forças de segurança aumentam presença em Damasco

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / GAZA

Tanques do Exército sírio abriram fogo ontem contra áreas residenciais em diversas cidades do sul e do oeste do país. Ao menos 19 pessoas morreram, de acordo com ativistas de direitos humanos. Já a agência estatal de notícias síria informou que dois soldados foram mortos e cinco ficaram feridos em confronto com "gangues terroristas armadas" em Bab Amr, perto da costa.

Dentre as cidades que foram alvo dos tanques está Homs, a terceira maior do país, perto do litoral, cercada pelo Exército. Deraa, o epicentro do movimento contra o regime, que já dura quase dois meses, também foi atacada pelo Exército, embora o governo tivesse anunciado que a revolta nessa cidade do sul estava liquidada.

Moradores da capital, Damasco, disseram que as forças de segurança aumentaram sua presença nas ruas, com patrulhas e um número maior de postos de controle.

Grupos de defesa de direitos humanos na Síria calculam que 10 mil manifestantes tenham sido presos nos últimos dias. Abu Haydar, um morador de Homs, disse à Reuters que a cidade tem sido castigada por disparos de tanques desde domingo. Haydar acrescentou que passou a noite no porão de sua casa. Homs, segundo ele, estava "paralisada".

A Síria não tem permitido a entrada de jornalistas estrangeiros e a cobertura tem sido feita por meio de relatos de testemunhas, pelo telefone.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, voltou a condenar a violência contra manifestantes pacíficos. "O governo sírio continua a seguir os passos de seu aliado, o Irã, ao recorrer à força bruta e a violações flagrantes dos direitos humanos", disse. "Esse tipo de ação não está do lado certo da história."

Jornalista presa. Uma repórter da TV árabe Al-Jazira foi detida ao aterrissar em Damasco no dia 29 de abril, segundo a emissora. Um assessor do ditador Bashar Assad afirmou, porém, que a repórter Dorothy Parvez, de nacionalidade americana, canadense e iraniana, foi colocada em um avião da Ukranian Airways com destino ao Irã. Outros cinco jornalistas de origem árabe foram detidos na Síria e tem paradeiro desconhecido.

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