Exército nepalês escolta comboio de suprimentos em meio a protestos

Veículos militares blindados escoltaram nesta terça-feira um comboio de ônibus e caminhões carregados de suprimentos na primeira tentativa de reabastecer Katmandu desde o início de uma greve geral e dos protestos contra o rei Gyanendra que provocaram o bloqueio das principais rodovias nepalesas ao longo das últimas duas semanas. O comboio de 23 ônibus e caminhões deixou Bharatpur nesta terça-feira para uma viagem de 140 quilômetros até Katmandu, informou a polícia rodoviária local. Os caminhões transportavam sal, bananas, batatas, cebolas, óleo de cozinha, combustível e outros itens em falta na capital nepalesa. Na segunda-feira, manifestantes tentaram impedir a passagem do comboio, mas desistiram depois que os soldados abriram fogo. Cinco pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Defesa do Nepal. O comboio e os passageiros do ônibus passaram a noite em um acampamento do Exército. Enquanto isso, a polícia local deteve 25 funcionários do Ministério de Interior que abandonaram o trabalho para protestar, no primeiro sinal de que funcionários do governo começaram a aderir às manifestações contra o monarca e em favor do restabelecimento da democracia no Nepal. O rei Gyanendra aplicou um autogolpe em 1º de fevereiro do ano passado. Ele dissolveu o Parlamento, suspendeu as liberdades civis e assumiu poderes totalitários sob a alegação de combater a corrupção e fazer frente a uma insurgência maoísta que já dura uma década. Os funcionários do ministério foram detidos enquanto entoavam palavras de ordem contra a monarquia, disse uma fonte no governo sob condição de anonimato por causa da tensão política no país. Dois jornalistas e um cinegrafista que acompanhavam a manifestação também foram detidos, prosseguiu a fonte. Protestos Diversas manifestações de pequeno porte foram registradas nesta segunda-feira em Katmandu. Pelo menos um manifestante ficou ferido quando a polícia abriu fogo com balas de borracha na direção dos participantes de um protesto no bairro de Buddhanagar. Em Nepalgunj, no oeste do país, um grupo de aproximadamente 20 mil manifestantes invadiu o canteiro de obras onde está sendo erigido um monumento em homenagem a Gyanendra na praça central da cidade. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo, mas depois permitiu a passagem dos manifestantes. Um repórter da agência Associated Press viu pelo menos um carro de polícia em chamas. Também nesta terça-feira, os rebeldes maoístas que lutam pela deposição da democracia informaram que a coalizão formada pelos sete maiores partidos políticos do Nepal manterá as manifestações até que seja restaurada a democracia no país. Nos últimos dois dias circularam rumores segundo os quais o rei teria dado sinais de que estaria disposto a abrir mão de alguns dos poderes por ele acumulados. Ele reuniu-se recentemente com líderes políticos locais e com os embaixadores de Estados Unidos, Índia e China.

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