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Exército ocupa palácio presidencial em Madagascar

Soldados atiraram contra o prédio vazio; oposição pediu prisão do presidente Marc Ravalomanana

Agências internacionais,

16 de março de 2009 | 14h44

Dezenas de soldados do Exército de Madagascar ocuparam um palácio presidencial vazio nesta segunda-feira, 16, em mais um capítulo da crise institucional que o país atravessa. Um pouco mais cedo, a oposição pediu que militares prendessem o presidente Marc Ravalomanana. O líder do país estava em outro palácio de Antananarivo, a capital do país.

 

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Veículos armados do Exército entraram no palácio e soldados atiraram contra o prédio vazio. A ação foi liderada por um coronel e contava com cerca de 90 homens. O palácio já havia sido palco de confrontos entre opositores e governistas. Os soldados disseram fazer parte do novo Exército do país, em uma referência a facção que declarou não receber mais ordens do presidente. Ravalomanana é acusado de mau uso de verbas públicas e de tentar corromper a democracia.

 

O líder da oposição de Madagáscar pediu nesta segunda-feira a prisão do presidente do país. A luta da dupla pelo poder parece perto de um momento decisivo no início desta semana. Não houve ainda resposta dos militares para o pedido da oposição. Uma facção do Exército declarou que não mais aceitará ordens do presidente Marc Ravalomanana, mas recusa-se a explicitamente apoiar o líder oposicionista Andry Rajoelina.

 

O oposicionista se declarou presidente de um governo de transição no fim de semana. Mas Ravalomanana afirma que não cederá o poder. Os dois conseguiram mobilizar multidões para suas manifestações nos últimos dias e não está claro quem tem mais apoio popular, após semanas de confrontos. A aparente cisão militar, além de enfraquecer o presidente gera dúvidas sobre a possibilidade de um período de violência.

 

Nesta segunda-feira, durante uma manifestação na capital, um assessor que Rajoelina qualifica como seu ministro da Justiça disse que Ravalomanana deveria ser preso. Na capital etíope, Adis-Abeba, o embaixador de Madagáscar na União Africana, Jean Pierre Rakotoarivony, disse que Rajoelina tentava dar um golpe e poderia ser julgado.

 

Rakotoarivony disse que um referendo, proposto pelo atual presidente, poderia ser realizado em três meses. Os eleitores decidiriam se confiam ou não no presidente. Caso não confiem mais, haveria novas eleições. Rajoelina porém rejeitou o referendo nesta segunda-feira. Segundo ele, o povo já apoia a saída do presidente e é isso que deve ocorrer.

 

Há bastante tensão na empobrecida ilha no Oceano Índico desde que Rajoelina iniciou protestos de rua no fim do ano passado. Ele acusa o presidente de corrupção e de minar a democracia. A União Africana pediu aos rivais que negociem. Diplomatas já advertiram que a crise ameaça o auxílio enviado a Madagáscar. O país é conhecido por sua bela vida selvagem, que atrai muitos ecoturistas, mas também pelo histórico de turbulência política.

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