Exército paquistanês acusa Taleban de tornar cidade refém

Militares afirmam que insurgentes romperam trégua com o governo e seguem com onda de violência no país

Agências internacionais,

30 de abril de 2009 | 11h44

O Exército paquistanês afirmou nesta quinta-feira, 30, que o Taleban ocupou uma aldeia nos arredores da capital e mantém a população como refém. Tropas enviadas para conter o avanço dos insurgentes na região de Islamabad mataram 14 supostos militantes.

 

O porta-voz militar, o major general Athar Abbas, afirmou que os insurgentes impõem forte resistência contra as forças do governo, que avança nos redutos insurgentes em Buner, distrito a 100 quilômetros de Islamabad. O Exército acusou os taleban que controlam o Vale de Swat, no norte do país, de violar o acordo de paz, e assegurou que as forças de segurança seguem avançando no distrito vizinho de Buner, onde já matou "muitos" rebeldes.

 

A ofensiva está se desenvolvendo com "cautela" para "evitar efeitos colaterais", mas as forças de segurança estão enfrentando um grande número de explosivos colocados nas estradas, segundo Abbas. As tropas destruíram quatro veículos preparados para atentados suicidas pelos insurgentes, que ainda controlam várias áreas e tomaram algumas delegacias, entre elas a de Pir Baba, na qual mantêm 52 membros das forças de segurança como reféns. Também houve mortos em Dir, demarcação a oeste de Swat na qual o Exército tinha dado por encerrada a ofensiva. Pelo menos 14 militantes foram mortos, e um soldado foi ferido nas últimas 24 horas.

 

O porta-voz militar acusou os taleban da Swat de violar o acordo de paz alcançado em fevereiro com o governo da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP) e que representa a aplicação da "sharia" (lei islâmica) em vários distritos do norte, em conflito desde 2007. Segundo Abbas, porém, os insurgentes continuam sequestrando membros das forças de segurança, assassinando policiais e civis, assim como ocupando delegacias e propriedades apesar da trégua declarada, além de ocupar a cidade de Sultanwas. "As pessoas de Sultanwas... Foram feitas reféns", afirmou Abbas. "Ninguém pode deixar o local".

 

O Taleban não se pronunciou sobre as acusações. As forças de segurança ainda barraram alguns repórteres e impediram a entrada na zona de combate. Linhas telefônicas também foram cortadas, o que dificulta a verificação das informações fornecidas pelo Exército.

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