Exército paquistanês critica violência em protestos

O Exército do Paquistão advertiu o primeiro-ministro, Nawaz Sharif, contra a continuação do uso de violência para barrar o avanço dos manifestantes que pedem a sua renúncia. Após uma reunião na noite deste domingo, os militares disseram ter "preocupações sérias" sobre a crise e o "rumo violento que tomou".

Estadão Conteúdo

31 de agosto de 2014 | 20h01

"O uso extensivo da força só vai agravar o problema", líderes das forças de segurança declararam em um depoimento que pedia que as figuras políticas resolvessem suas diferenças rapidamente. Neste domingo, os participantes dos protestos contrários ao governo, armados com estilingues e marretas, entraram em diversos conflitos com a polícia na capital Islamabad.

Enquanto isso, o premiê se encontrava com conselheiros de alto escalão em sua casa. Em depoimento publicado na imprensa, Sharif disse que iria convocar uma sessão conjunta do Parlamento na terça-feira para discutir a crise. Seu governo "condenou o ataque a símbolos do Estado por dois partidos políticos", dizendo que a violência era "não democrática e inconstitucional".

"As medidas tomadas pela polícia e pelas forças de segurança para defender e acabar com tais atos foram apreciadas", dizia a declaração. O governo culpou os manifestantes pelos conflitos, afirmando que as autoridades haviam tentado negociar. O texto pedia que os dois líderes das manifestações, o político de oposição Imran Khan e o clérigo islâmico Tahir-ul-Qadri, voltem às mesas de negociação, mas ambos não se mostraram dispostos a fazê-lo.

Centenas de pessoas foram presas nos confrontos que começaram na noite do sábado e continuaram no domingo, afirmou o chefe de polícia da cidade, Khalid Khattak. Ao menos três morreram e 400 foram internados nos hospitais locais, disseram autoridades do país.

Houve diversos confrontos espalhados pela região e os manifestantes pareciam estar se reagrupando no final da tarde deste domingo. Durante a noite, grandes números de pessoas estavam agrupadas em volta do Parlamento e alguns se espalhavam por outras partes da capital, informou o oficial de polícia Amir Paracha. Ele disse que os participantes do protesto haviam roubado escudos policiais e carregavam barras de ferro, cassetetes, pedras e tijolos.

Também neste domingo, um avião cargueiro foi atingido por tiros de arma de fogo no aeroporto de Peshawar, onde havia pousado para reabastecer após decolar de Cabul, no vizinho Afeganistão. Ainda não está claro se a aeronave foi atacada deliberadamente ou acertada por uma bala perdida, possivelmente disparada como parte de uma cerimônia de casamento. Fonte: Associated Press.

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