Exército paquistanês envia reforço para Mesquita Vermelha

O exército do Paquistão enviou nesta terça-feira, 10, tropas de reforço com armamento pesado à Mesquita Vermelha de Islamabad, onde os radicais entrincheirados oferecem mais resistência do que a esperada, admitiu o general Waheed Arshad, um porta-voz militar. "Não esperávamos uma resistência tão ferrenha", reconheceu."Não posso dizer quanto tempo vai levar" para acabar a operação, que começou às 20h de Brasília da segunda-feira, acrescentou Arshad, que no início do ataque à mesquita calculava que estaria terminado em três ou quatro horas. Os canais de televisão, nos quais Arshad oferece constantemente a versão oficial do que ocorre na mesquita, mostraram imagens de mais tropas indo como reforço em veículos com lançadores de mísseis e outros armamentos pesados.Tropas do governo paquistanês invadiram na manhã desta terça em Islamabad (noite de ontem em Brasília) a Mesquita Vermelha, desfechando o ataque final aos estudantes islâmicos radicais entrincheirados no local, depois que fracassaram os esforços de negociar um acordo para a desocupação do templo. Segundo o exército do Paquistão, pelo menos 50 militantes islâmicos e 8 soldados morreram nos confrontos.Os confrontos entre os estudantes fundamentalistas entrincheirados na mesquita e as forças do governo, iniciados há uma semana, já haviam deixado 24 mortos antes do início da ofensiva final. Os estudantes ocuparam o templo para pedir o endurecimento da lei islâmica, inspirados no regime radical que o grupo fundamentalista Taleban impôs no Afeganistão até ser deposto, em 2001. Eles diziam que havia 2 mil pessoas na mesquita, mas as autoridades estimavam o total entre 200 e 500. Segundo o governo, mulheres e crianças eram mantidas como reféns.Autoridades paquistanesas disseram que a interceptação de algumas conversas telefônicas indicou que pelo menos 15 estudantes ataram explosivos a seus corpos.Família capturadaA esposa e uma filha do líder da Mesquita Vermelha de Islamabad foram capturadas nesta terça pelo exército, em uma invasão que deixou pelo menos 58 mortos, informouuma fonte militar. A esposa do clérigo Abdul Aziz era diretora da escola corânica Jamia Hafsa e liderou esta semana, junto com seu cunhado, Rasheed Ghazi, a resistência dos radicais entrincheirados na mesquita. A esposa de Aziz, Umme Hassan, e sua filha Asma foram detidas nas instalações de Jamia Hafsa, onde ainda resiste o núcleo duro dos fundamentalistas. Abdul Aziz, líder da Mesquita Vermelha, foi detido naquarta-feira passada quando tentava sair do templo islâmico escondido sob uma burka com outra de suas filhas, também detida. O irmão de Aziz, Rasheed Ghazi resistiu esta semana dentro do local e nesta terça, ao começar o ataque, pediu a seus seguidores para continuar sua "missão" de "impor a Sharia (lei islâmica)" no Paquistão. O radical foi localizado no quarto principal da escolacorânica onde resistem os fundamentalistas, e o governo teme que possam recorrer a medidas extremas, como usar explosivos.

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