Arquivo/AP
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Exército paquistanês nega que major esteja entre informantes da CIA presos

Cinco colaboradores da CIA na operação que encontrou e matou Bin Laden foram presas no Paquistão

estadão.com.br,

15 de junho de 2011 | 16h35

ISLAMABAD - O exército paquistanês negou nesta quarta-feira, 15, que um alto oficial estava entre um grupo de funcionários do país presos por uma agência paquistanesa de espionagem militar. Segundo o The New York Times, os cinco funcionários seriam colaboradores da CIA, a agência de inteligência americana, e teriam fornecido informações que levaram os Estados Unidos a encontrar e matar Osama Bin Laden.

 

Segundo o NYT, um dos detidos seria um major do exército paquistanês que, segundo autoridades, copiou placas de carros que visitavam o líder da Al-Qaeda na residência em que ele estava escondido, 50 quilômetros a noroeste de Islamabad, semanas antes do ataque. Não está claro o que aconteceu com os informantes detidos, segundo o jornal, que citou como fontes funcionários norte-americanos.

 

Uma autoridade ocidental no Paquistão confirmou que cinco paquistaneses que alimentaram informações para a operação da CIA, em maio, foram presos pelo serviço de inteligência do Paquistão.

 

O diretor da CIA, Leon Panetta, que está para deixar o cargo, levantou a questão sobre a prisão dos informantes durante uma viagem ao Paquistão na semana passada, quando se reuniu com autoridades militares e da inteligência paquistanesa, afirmou o jornal.

 

O porta-voz do exército paquistanes, Athar Abbas, negou, entretanto, que um major do exército esteja entre os cinco presos. Segundo Abbas, as afirmações sobre a prisão do major são "totalmente falsas".

 

Não está claro o que aconteceu com os informantes detidos, segundo o jornal, que citou como fontes funcionários norte-americanos. Um alto funcionário da segurança paquistanesa disse que algumas pessoas foram presas em relação ao ocorrido em Abbottabad e elas estão sendo investigadas.

 

Ao ser indagado se tais pessoas eram informantes da CIA, ele disse que somente depois das investigações poderiam dizer a que categoria pertenciam as pessoas detidas. Em Washington, algumas pessoas vêm as prisões como outro indício da profunda desconexão entre as prioridades dos EUA e do Paquistão na luta contra extremistas, disse o NYT.

 

Os EUA não informaram o governo do Paquistão sobre a operação contra Bin Laden, o que enfureceu as Forças Armadas do país e deixou em situação difícil as relações militares e de inteligência entre os dois países.

 

Na semana passada, em uma reunião a portas fechadas, o vice-diretor da CIA, Michael Morell, deu nota 3, numa escala de 1 a 10, para a cooperação do Paquistão com os EUA nas ações contra o terrorismo, segundo o NYT, que citou fontes no governo.

 

Vistos

 

Autoridades dos Estados Unidos disseram que, depois de concordar há duas semanas em formar uma equipe conjunta de inteligência para caçar a Al-Qaeda, o Paquistão deixou de aprovar vistos para permitir que os agentes da CIA entrassem no país. Nesta quarta-feira, um oficial paquistanês disse que os vistos serão emitidos, mas não informou quando.

 

Líder da Al-Qaeda

 

Outro ponto que tem conturbado a relação entre os dois países é a descoberta de que o Paquistão liberou em 2007 Hassan Ghul, um dos chefes da Al-Qaeda que foi capturado pela CIA e ficou em uma prisão secreta no Oriente Médio até 2006, quando o governo de George Bush decidiu devolvê-lo ao Paquistão, seu país natal, com a promessa de não seria libertado. Porém, Ghul foi libertado e, pouco depois, se envolveu novamente com a Al-Qaeda e continuou organizando atentados, como o de Mumbai em 2008.

 

Com AP e Reuters

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