Exército paquistanês tenta convencer líder do Taleban a negociar com EUA

O serviço de inteligência do Paquistão está em contato com o líder do Taleban afegão, mulá Mohamed Omar, e afirmou que pode convencer o chefe da milícia a sentar à mesa de negociações com os EUA para pôr fim ao conflito no Afeganistão. "Isso mesmo: diálogo" afirmou o general Athar Abbas, porta-voz do Exército paquistanês em entrevista exclusiva à rede de TV CNN. "No fim das contas, alguém terá de voltar para a mesa de diálogo e eu acho que isso pode ser resolvido."Em troca de seu papel como mediador entre os EUA e o Taleban, o Paquistão quer que Washington faça algumas concessões referentes às preocupações do país com a Índia, um antigo rival de Islamabad.Com as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) chegando a um impasse nos combates no Afeganistão, o consenso entre militares e diplomatas é o de que os EUA não têm condições de vencer a guerra militarmente. Muitos acreditam que uma solução para o conflito será política e econômica e deverá ser negociada com o próprio Taleban. As discussões, porém, deverão contar com o envolvimento do Paquistão, Índia e Irã - além da Otan e dos EUA. O anúncio da inteligência do Paquistão poderia ser a primeira oportunidade de avanço nas negociações para pôr um fim à guerra que começou com a invasão do Afeganistão pelos EUA em 2001.De acordo com Abbas, as relações entre os militares paquistaneses e os militantes continuou depois do período da invasão soviética no Afeganistão. No entanto, ele negou qualquer tipo de apoio direto de Islamabad às milícias."A (agência de inteligência paquistanesa) ISI estava no primeiro plano de toda a luta contra os soviéticos. Mas, agora, manter contato com essas organizações não significa que a política do Estado é a de fornecer apoio físico a esses grupos", disse Abbas. Ele afirmou que depois dos ataques do 11 de Setembro a política do Paquistão para lidar com o Taleban deu uma guinada."A ISI seguiu essa tendência, mas nenhuma agência de inteligência no mundo fecha todas as portas com outros grupos. Os contatos continuam", disse Abbas. "Isso não significa que nós apoiemos o que eles estão fazendo no Afeganistão."

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