EFE/Martin Alipaz
EFE/Martin Alipaz

Exército põe a mão na massa para enfrentar greve de padeiros na Bolívia

Habitualmente, os soldados fabricam 1,6 mil pães diários para 800 soldados. Agora, estão produzindo 5,6 mil unidades para responder à demanda extra provocada pelo conflito dos padeiros de La Paz e El Alto

O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2015 | 20h15

LA PAZ - O Exército da Bolívia "combaterá" a falta de pão causada pela greve de padeiros triplicando a produção desse alimento básico que sumiu das prateleiras. Os militares estão tentando antecipar os efeitos de uma paralisação que pode se estender, a partir desta quarta-feira, 20, a todo o país, em um protesto pelo fim do subsídio estatal à farinha.

O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, declarou nesta terça-feira, 19, à agência EFE que o Exército aumentará para três os turnos nos fornos das sete unidades militares das cidades vizinhas La Paz e El Alto para produzir até 210 mil unidades de pão por dia. "Vamos fazer uma inspeção em todas as unidades militares para ver os requerimentos imediatos para triplicar a produção e vamos produzir indefinidamente enquanto a greve dos panificadores continuar", declarou Ferreira.


Os militares não produzem o tradicional "pão de batalha" ou "marraqueta", que tem 60 gramas, mas peças planas, comuns nos quartéis bolivianos.

O pão dos militares é vendido pelo equivalente a US$ 0,05 a unidade nas agências da estatal Empresa de Apoio à Produção de Alimentos (Emapa), onde os moradores têm feito filas desde a segunda-feira porque não há alimento suficiente nos mercados para cobrir a demanda.

Esse é o preço que o governo quer manter para a oferta de pão nas duas cidades, que até o momento são as duas únicas onde houve a greve de 48 horas, embora os sindicatos de outras regiões queiram aderir a partir de amanhã como medida de pressão.

Os produtores de pão argumentam que o custo deste alimento deve subir para o equivalente a US$ 0,07 em razão do fim do subsídio à farinha. O governo alegou que os preços da farinha sem subvenção no mercado são agora semelhantes aos de uma década atrás. Ele afirma ainda que existe uma folha de custos que mostra a rentabilidade da produção de pão sem que a matéria-prima esteja subsidiada.

"Acho que é um conflito artificial. Há dois anos, víamos que a saca de 50 quilos custava 300 bolivianos (US$ 43 dólares), mas caiu para praticamente a metade. Então, não se justifica uma subvenção", afirmou Ferreira. Ele também ressaltou que o governo está aberto a um "diálogo franco, sincero e sem egoísmos" com o setor sobre como é possível incentivar a produção ou melhorar os fornos, mas não sobre o aumento do preço do pão.

Uma assembleia de sindicatos de padeiros decidiu convocar uma greve nacional a partir de amanhã em apoio a seus companheiros de La Paz e El Alto, apesar de, em outras cidades, o pão ser mais caro do que nessas duas. A assembleia resolveu também pedir a renúncia da ministra de Desenvolvimento Produtivo, Verónica Ramos, porque considera que a retirada do subsídio afeta o bolso da população.

O dirigente dos padeiros de La Paz, Félix Quenta, afirmou em à rádio Erbol que o preço da saca de farinha de 50 quilos no mercado subiu US$ 7 quando estava subsidiado, por isso a retirada da subvenção diminuirá muito a receita dos panificadores. Quenta sugeriu que o governo compre farinha argentina, que é mais barata, para revendê-la aos padeiros.

Enquanto isso, no Estado-Maior das Forças Armadas, a reportagem da EFE constatou que os fornos industriais funcionam a todo vapor para atenuar a escassez no mercado. Habitualmente, os soldados fabricam nessas instalações 1,6 mil pães diários para 800 soldados. Agora, estão produzindo 5,6 mil unidades para responder à demanda extra provocada pelo conflito dos padeiros.

Esta não é a primeira vez que os militares participam do fornecimento do pãozinho para os bolivianos. Eles prestaram ajuda em duas ocasiões anteriores diante de circunstâncias semelhantes, e na América Latina houve experiências "diante do boicote de alguns empresários que afetou o abastecimento de alimentos na Venezuela", acrescentou Ferreira. / EFE 

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