Exército promete aos EUA transição no dia 10

Americanos pressionam militares egípcios para que cedam poder a eleito, mas temem ascensão de radicais islâmicos

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h03

Diante da deterioração do cenário egípcio nos últimos dias, o secretário da Defesa americano, Leon Panetta, telefonou para o Hussein Tantawi, general no comando do poder no Cairo, e "ressaltou a importância de o Egito seguir com a transição política, incluindo a condução de eleições legislativas o mais rapidamente possível". De acordo com comunicado do Pentágono, Tantawi respondeu que "as Forças Armadas do Egito estão comprometidas com a realização de eleições presidenciais livres" neste fim de semana "e a transferência de poder para um governante eleito em 1o de julho".

Não há menção, na resposta do comandante egípcio, sobre a organização de uma votação para eleger um novo Parlamento.

O Pentágono exerce historicamente influência sobre as Forças Armadas do Egito, que recebem uma ajuda militar de US$ 1,3 bilhões desde 1979, quando o então presidente Anwar Sadat assinou um acordo de paz com o premiê israelense Menachem Begin. Em troca, os egípcios se comprometem a manter relações diplomáticas e uma cooperação na área de segurança com Israel.

Os EUA defendem que as Forças Armadas respeitem a transição política em direção à democracia, mas preferem manter a cautela ao comentar a decisão dos militares de dissolver o Parlamento, controlado pela Irmandade Muçulmana. A administração de Barack Obama defende os movimentos democráticos na Primavera Árabe, mas Washington teme um novo regime conservador controlado pela Irmandade, representada na eleição por Mohamed Morsi, e os salafistas.

Hillary Clinton, secretária de Estado americana, também evitou críticas aos militares, mas afirmou que a "transição democrática clamada pelo povo egípcio" não pode ser abandonada. Apesar de ter considerado a eleição parlamentar no Egito como correta, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, "disse respeitar a independência da Suprema Corte do Egito", embora os juízes tenham sido indicados pelo regime Mubarak.

A administração de Obama, desde o início da revolução, vem mantendo canais de diálogo com a Irmandade Muçulmana e considera o grupo um ator racional. Uma das preocupações maiores tem sido tentar convencer a organização a não romper as relações Israel. Alguns políticos tanto do Partido Democrata como do Republicano defendem a suspensão da ajuda militar.

Steven Cook, do Council on Foreign Relations, em teleconferência com jornalistas na sexta-feira, disse que desta vez os EUA são apenas expectadores de uma questão interna. "Este é um dos eventos em que os americanos têm pouca influência. É uma luta política doméstica que vem ocorrendo há algum tempo. O presidente, a secretária de Estado, o da Defesa podem pegar o telefone e ligar para discutir o que vem ocorrendo e Tantawi irá escutar. Mas não fará muita diferença".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.