Exército Nacional da Colômbia/AFP
Exército Nacional da Colômbia/AFP

Exército resgata brasileiro e suíço sequestrados na Colômbia

Os dois homens caíram nas mãos da Coluna Móvel Dagoberto Ramos, uma dissidência da guerrilha Farc que não aderiu ao acordo de paz; nota do Itamaraty diz que governo Bolsonaro recebeu a libertação 'com satisfação'

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 20h51
Atualizado 18 de junho de 2020 | 21h16

BOGOTÁ - O Exército da Colômbia anunciou nesta quinta-feira, 18, a libertação de um brasileiro e um suíço  que tinham sido sequestrados havia três meses por supostos guerrilheiros que não aderiram ao acordo de paz no país.   

José Ivan Albuquerque e Daniel Max Guggenheim foram resgatados durante uma operação militar no Departamento de Cauca (sudoeste), uma das áreas mais atingidas pela violência financiada pelo tráfico de drogas. 

O governo brasileiro emitiu uma nota na noite desta quinta-feira na qual afirmou ter recebido com satisfação a libertação do brasileiro. "Ao agradecer os esforços das autoridades colombianas, o governo brasileiro parabeniza as forças policiais e militares da Colômbia pela operação em questão", afirma a nota divulgada pelo Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores explicou que as embaixadas do Brasil e da Suíça acompanharam o caso desde o início. 

Os dois homens caíram nas mãos da Coluna Móvel Dagoberto Ramos em 16 de março, informou o grupo de resgate do Exército, conhecido como Gaula, em comunicado. 

O grupo faz parte das chamadas dissidências das Farc, a guerrilha de orientação marxista que entregou suas armas em 2016, depois de mais de meio século de conflito, com dezenas de milhares de vítimas civis.

"Os militares capturaram em flagrante" um dos supostos captores que tinha como função a custódia dos reféns, acrescentou o Gaula. As autoridades não revelaram a idade ou detalhes adicionais sobre os estrangeiros.

Em uma entrevista coletiva, Guggenheim, um ex-funcionário da Justiça já aposentado, contou que foi sequestrado junto a Albuquerque durante uma viagem turística no litoral do Pacífico. 

No retorno a Bogotá, foram interceptados no município de Corinto, em Cauca. Um dos sequestradores os ameaçou com uma arma no restaurante onde estavam jantando. 

Durante o cativeiro, eles foram transferidos várias vezes de local, de acordo com o que disseram à imprensa. Os captores pediram à família Guggenheim um resgate equivalente a US$ 266 mil, antes de baixar a reivindicação para US$ 1.300. 

"Eles ligaram para minha filha uma vez e conversaram sobre uma quantia ... Foram feitas três ligações", disse o suíço, sem especificar se foi feito algum pagamento. "Ele nos disse que chegamos ao cemitério", disse Guggenheim, em espanhol. 

Os estrangeiros foram feitos reféns junto aos seus animais de estimação, dois cães da raça Pomerânia, e levados para uma propriedade rural, local onde foram resgatados em meio ao período de confinamento por causa da pandemia de coronavírus

Atualmente, os rebeldes que pertenciam às antigas Farc operam sem um comando unificado e são financiados diretamente pelo narcotráfico e extração ilegal de minerais, segundo autoridades que estimam em cerca de 2,3 mil membros das dissidências. 

Embora aliviada pela paz com as Farc, a Colômbia ainda vive um conflito armado que deixa quase 9 milhões de vítimas entre mortos, desaparecidos ou deslocados, em mais de meio século. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.