Exército retoma controle de campo de refugiados no Líbano

Milícia do Fatah al-Islam é expulsa de campo palestino após três meses de luta e 300 mortos

AP e Reuters , Beirute, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

O Exército do Líbano tomou o controle do campo de refugiados palestinos Nahr Al-Bared, no norte do país, onde confrontos com a milícia Fatah al-Islam eram travados havia mais de três meses. Durante a batalha de ontem, 31 rebeldes radicais islâmicos foram mortos, segundo as forças de segurança, incluindo o líder do grupo, Shaker al-Abssi. Também foram presos ao menos 34 membros da milícia, que é inspirada na Al-Qaeda. "Fico feliz em anunciar a todos a vitória nacional, a força e o triunfo do Exército libanês sobre os terroristas do Nahr el-Bared", afirmou o primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, em discurso transmitido em cadeia nacional.O conflito foi o pior foco de violência interna no Líbano desde a Guerra Civil (1975 -1990) e matou mais de 300 pessoas. O Fatah al-Islam afirma que compartilha a ideologia da Al-Qaeda mas não tem ligações diretas com a organização terrorista."A maioria dos terroristas foi morta hoje. Os outros foram capturados. Alguns poucos conseguiram escapar, mas o Exército está caçando-os", afirmou, sob condição de anonimato, um funcionário das forças de segurança do Líbano à agência de notícias Reuters. Cinco soldados também morreram nas batalhas de ontem, elevando para 157 o número de vítimas entre os militares libaneses. Pelo menos 131 rebeldes e 42 civis também foram mortos desde o início dos conflitos.O comando militar libanês informou que os militantes tentaram fugir do campo de refugiados no início da manhã de ontem. "Eles (os combatentes) atacaram posições do Exército, numa tentativa desesperada para escapar", afirmava o comunicado das forças de segurança. Milhares de pessoas se reuniram para cumprimentar os soldados e celebrar a vitória em Tripoli, Beirute e outras cidades libanesas. "O Exército triunfou. Eles são nossos defensores", gritava Mohammed Ali Masri, de 32 anos, numa comunidade rural próxima ao campo de refugiados. A maioria dos 40 mil residentes do campo de refugiados deixou o local logo que os confrontos explodiram, em 20 de maio. O conflito teve início quando o Fatah al-Islam atacou um posto militar próximo ao campo. O Exército invadiu o local, onde os rebeldes ficaram entrincheirados desde então. O governo afirmou que não permitirá que ninguém volte ao campo e pediu aos palestinos que ainda não retornem a suas casas. Campos de refugiados palestinos no Líbano há algum tempo escaparam do controle do Estado, sendo controlados por facções palestinas. Mas Siniora disse que o Nahr al-Bared estaria agora "sob a autoridade libanesa e mais nenhuma outra (autoridade)". Ele anunciou ainda o compromisso do governo na reconstrução do campo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.