REUTERS/Abdalrhman Ismail
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Exército sírio anuncia prorrogação de 48 horas no cessar-fogo em Alepo

Segundo Observatório Sírio de Direitos Humanos, desde 22 de abril 290 civis morreram na cidade, entre eles 59 menores

O Estado de S. Paulo

10 Maio 2016 | 09h42

BEIRUTE - O Exército sírio anunciou na segunda-feira uma prorrogação de 48 horas na trégua da cidade de Alepo, ao norte do país, segundo um comunicado oficial recolhido pela agência de notícias oficial Sana.

O Comando Geral das Forças Armadas sírias explicou em nota que a cessação das hostilidades se estenderá por 48 horas a partir das 1h hora de terça-feira (19h em Brasília). O texto acrescentou que também foi decidido alongar a trégua por outros dois dias no norte da província litorânea de Latakia.

"O 'regime de calma’ é prorrogado por 48 horas em Alepo e sua província, a partir da 1h de terça-feira até a meia-noite de quarta-feira" local, informou um comunicado do Exército.

Incentivadas pela suspensão dos bombardeios, muitas famílias retornaram às suas casas e as escolas reabriram no setor da cidade controlado pelos rebeldes.

O "regime de calma" em Alepo, como o governo de Damasco denomina a trégua, começou na quinta-feira após uma onda de violência na cidade durante duas semanas.

Desde o dia 22 de abril até segunda-feira, pelo menos 290 civis morreram na região, entre eles 59 menores de idade, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A trégua parcial reduziu as hostilidades em Alepo, embora na segunda-feira tenha ocorrido bombardeios e tiros de artilharia em várias partes da cidade, como na província de Idleb, controlada pelo braço local da Al-Qaeda, onde pelo menos 10 civis, 3 deles crianças, morreram.

Rússia e EUA decidiram intensificar esforços para garantir que o cessar-fogo seja aplicado em toda a Síria e para que a ajuda humanitária chegue aos locais necessitados. 

Acordo. "A Federação da Rússia e os EUA estão decididos a redobrar os esforços para alcançar uma solução política do conflito sírio", destaca um comunicado conjunto dos dois países, publicado no site do Ministério russo das Relações Exteriores.

Os dois lados enfatizam os "avanços" na observância do cessar-fogo, mas admitem "dificuldades" persistentes "em determinadas áreas", bem como "problemas de acesso humanitário às áreas sitiadas". "Por isso, decidimos confirmar o nosso compromisso" com a cessação das hostilidades na Síria e "intensificar os nossos esforços para garantir sua aplicação a nível nacional", afirma o documento.

A Rússia promete "trabalhar com as autoridades sírias para reduzir o número de operações aéreas em regiões essencialmente povoadas por civis, ou que fazem parte do cessar-fogo".

A ONU tenta há meses mediar uma solução para um conflito que já deixou, desde março de 2011, mais de 270 mil mortos e um êxodo de milhões de pessoas.

Ainda na segunda-feira, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, insistiu que as negociações de paz na Síria devem ser retomadas "o mais rapidamente possível". "Expressamos a vontade de que se retomem as negociações o mais rapidamente possível", afirmou Ayrault.

Ayrault acusou o governo de Damasco de ser responsável por "inúmeras violações da trégua", de bloquear os comboios humanitários" e de "não ter demonstrado a menor vontade de avançar" durante as conversas de Genebra. /EFE e AFP

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