Exército Sírio continua a atacar rebeldes em Alepo

Fortes bombardeios ocorreram pelo segundo dia consecutivo na capital comercial da Síria, Alepo, neste domingo. As tropas do governo continuaram sua ofensiva contra os rebeldes em várias partes da cidade, atemorizando a população civil.

PAULA MOURA - PAULA.MOURA@GRUPOESTADO.COM.BR, Agência Estado

29 de julho de 2012 | 10h48

O Conselho Nacional Sírio (SNC, na sigla em inglês), de oposição, acusou o regime do presidente Bashar al Assad de se preparar para "massacres" na cidade e pediu que o Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) faça uma reunião de emergência. Como os rebeldes enfrentam uma capacidade militar maior do governo, o chefe do SNC, Abdel Basset Sayda, pediu que os governos ocidentais forneçam armas.

O enviado de paz da ONU, Kofi Annan, pediu que os dois lados parem a violência, dizendo que apenas uma solução política poderia finalizar o conflito que os observadores dos direitos humanos contabilizam ter matado mais de 20 mil pessoas desde o início dos levantes em março de 2011.

Um ativista disse que houve mais ataques no distrito de Salaheddin, no sudoeste de Alepo, onde rebeldes haviam repelido um ataque terrestre no sábado. Ele disse que também houve confronto entre soldados e rebeldes em nos bairros de Bab al-Nasr, Bab al-Hadid e Cidade Velha, todos no centro da cidade. "As ruas estreitas dos distritos do centro, com mercados e prédios densamente povoados são impossíveis de chegar com taques e bombardeios", disse.

Após atacarem por dois dias, soldados em grande número apoiados por tanques e helicópteros fizeram um assalto terrestre em Salaheddin, onde os rebeldes concentram suas forças desde a tomada de Alepo em 20 de julho.

Os dois lados afirmaram terem avançado no confronto, mas um correspondente da AFP disse que os rebeldes conseguiram repelir em grande parte a ofensiva do exército. Segundo ele, os civis na cidade de cerca de 2,5 milhões de pessoas se aglomeraram em porões tentando se proteger dos intensos bombardeios.

O coronel Abdel Jabbar al-Oqaidi, do Exército Livre da Síria, disse que os rebeldes infligiram grandes perdas ao exército em Salaheddin, mas acrescentou que houve muitas mortes de civis. Destruímos oito tanques e alguns veículos blindados e matamos mais de 100 soldados", disse. "Três rebeldes foram mortos, mas também muitos civis." Oqaidi disse que a opção do regime por ataques aéreos foi responsável pelo grande número de mortos civis e que pediu a imposição de uma zona proibida para aviões.

O jornal pró-governo Al-Watan disse que o exército realizou uma "operação muito delicada em Alepo para erradicar o terrorismo, impor a lei e libertar a população das mãos de terroristas de várias partes do mundo". "O destino dos terroristas será o mesmo de seus companheiros de Damasco", disse o jornal, aludindo a uma ofensiva do exército no início do mês que forçou a retirada dos rebeldes da capital.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou que houve fortes conflitos neste domingo nos bairros de Salaheddin e Saif al-Dawla e na entrada do campo de refugiados palestinos Hindrat. "O exército está tentando retomar o distrito de Bab al-Hadid no centro de Alepo", disse Rami Abdel Rahman, chefe do Observatório.

Em todo o país, a violência matou 168 pessoas no sábado: 94 civis, 33 rebeldes e 41 soldados, disse a entidade. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.