Exército sírio e Partido Baath indicam divisões

Testemunhas falam em confrontos entre soldados e cerca de 30 membros do partido governista renunciam

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE

Em meio a sinais de divisões nas Forças Armadas e no Partido Baath, o Exército sírio enviou ontem reforços para as duas cidades que cerca desde segunda-feira _- Deraa e Douma - e ampliou as operações para outras regiões da Síria, na tentativa de conter o movimento contra o ditador Bashar Assad. Nos preparativos para o grande confronto esperado para amanhã, dia do descanso semanal em que os manifestantes saem às ruas em maior número, um comboio de cerca de 30 tanques foi visto no anel rodoviário ao redor de Damasco, a caminho das cidades mais conflagradas.

Ativistas de direitos humanos disseram ter ouvido relatos de confrontos entre soldados do Exército regular que se recusam a disparar contra civis e as divisões de elite comandadas por Maher Assad, irmão de Bashar, deixando número significativo de baixas. "Toda a informação que recebemos desde ontem (terça-feira) enfatiza lutas entre unidades do Exército", declarou Obeida Nahas, diretor do Instituto Levante, com base em Londres, e militante da Irmandade Muçulmana, citado por The Wall Street Journal. A agência oficial de notícias Sana informou que seis membros das forças de segurança foram mortos por "grupos extremistas armados".

As divisões são cada dia mais visíveis no Partido Baath, que governa a Síria há quatro décadas e costumava se mostrar coeso. Cerca de 30 integrantes do partido em Baniyas, na costa norte da Síria, anunciaram sua saída com uma virulenta carta, na qual denunciam o uso de munição real contra manifestantes e as buscas de casa em casa. "Considerando a ruptura de valores e símbolos que o partido nos instilou e que foram destruídos pelas forças de segurança, anunciamos nossa saída do partido sem arrependimento", diz a carta.

A repressão mais violenta tem ocorrido na cidade de Deraa, no sul. Apoiados por tanques e canhões de artilharia, soldados instalaram-se no telhado de edifícios e têm disparado indiscriminadamente contra civis, segundo testemunhas ouvidas pelas agências de notícias e emissoras de TV árabes. Um morador de Deraa disse à TV Al-Jazira que as forças de segurança tomaram o hospital e estavam disparando contra qualquer um que se aproximasse.

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