Exército sírio inicia ofensiva contra cidade tomada por opositores

Temor por violência em Jisr al-Shughour levou à fuga de mais de 2,4 mil pessoas para a Turquia.

BBC Brasil, BBC

10 de junho de 2011 | 06h57

O Exército da Síria deu início nesta sexta-feira, 10, a uma ofensiva na cidade de Jisr al-Shugour, reforçando os temores de que a violência que tomou conta do país nas últimas semanas se intensifique ainda mais.

 

Veja também:

especialA revolução que abalou o Oriente Médio

 

Segundo a TV estatal da Síria, as operações têm como finalidade capturar grupos armados na cidade e arredores. O órgão oficial afirmou que os grupos armados estão ateando fogo às lavouras e à mata local.

O temor de violência foi crescendo nos últimos dias à medida que soldados e tanques do Exército ocupavam posições ao redor de Jisr al-Shugour. O governo sírio diz que 120 integrantes de forças de segurança foram mortos por grupos rebeldes nesta semana.

Os prospectos engrossaram o fluxo de pessoas tentando cruzar a fronteira da Síria com a Turquia. O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, disse na quinta-feira que mais de 2,4 mil pessoas entraram no país vindos da Síria.

Metade delas, acredita-se que, chegou entre a noite de quarta-feira e a manhã da quinta-feira.

Em entrevista à TV da Turquia, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou a repressão do governo síria e disse que as ações militares são "desumanas".

Erdogan disse que discutiu o assunto com o presidente sírio, Bashar al-Assad, recentemente, mas alegou que a receptividade do vizinho foi "inadequada".

Diplomacia

Segundo defensores de direitos humanos, mais de mil pessoas já foram mortas na Síria desde março, quando começaram os protestos contra o governo do presidente Assad.

Esse número, porém, não pode ser confirmado de forma independente, já que a Síria proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros.

A escalada da violência na Síria levou a alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, a afirmar que o governo sírio está travando uma guerra contra seu próprio povo.

Testemunhas disseram que o cerco a Jisr al-Shurgour envolveu cerca de 30 mil soldados e 13 ou 14 tanques.

No Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, uma proposta de resolução de França e Grã-Bretanha condenando a Síria foi recebida com frieza pela Rússia e a China.

O texto condena a repressão do governo a manifestações pró-democracia, mas não prevê a autorização de qualquer tipo de ação concreta contra o governo sírio.

No entanto, alguns membros do Conselho de Segurança temem que a resolução seja o primeiro passo para uma intervenção na Síria, a exemplo do que ocorre na Líbia.

Contrário à resolução, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que a medida poderá aumentar ainda mais a tensão no Oriente Médio.

"A última coisa que queremos ver ou fazer é contribuir para exacerbar as tensões no que nós consideramos ser uma das regiões mais tensas do mundo", afirmou o ministro

O porta-voz da chancelaria russa Alexander Lukashevich disse que Moscou seria contra tal resolução porque a situação na Síria não ameaça a paz e a segurança internacionais. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.