Reprodução/Reuters
Reprodução/Reuters

Exército sírio retoma controle de cidade estratégica na fronteira com o Líbano

Retomada, que teve auxílio do Hezbollah, impõe derrota a rebeldes que lutam para derrubar Assad

O Estado de S. Paulo,

05 Junho 2013 | 09h59

Forças sírias e combatentes aliados do grupo militantes libanês Hezbollah assumiram nesta quarta-feira, 5, o controle da cidade fronteiriça de Qusair. A retomada da cidade impôs uma derrota estratégica aos rebeldes que lutam há dois anos para derrubar o presidente Bashar Assad.

O Exército Sírio Livre disse ter se retirado de Qusair, que fica em uma rota de suprimentos na fronteira com o Líbano, após duas semanas de duras batalhas que marcaram o mais profundo envolvimento militar do Hezbollah até agora na guerra civil da Síria. "Dezenas de combatentes ficaram para trás para garantir a retirada de seus companheiros, e dos civis", afirmaram os insurgentes em um comunicado.

Um combatente do Hezbollah declarou à Reuters que eles tomaram a cidade em uma ofensiva rápida durante a noite, permitindo que alguns combatentes rebeldes fugissem. "Fizemos um ataque surpresa nas primeiras horas e entramos na cidade. Eles escaparam", disse.

Qusair estava em poder dos insurgentes havia mais de um ano. Imagens de televisão mostram devastação generalizada, com prédios reduzidos a escombros, ruas destruídas e nenhum morador à vista. As forças de Assad agora controlam um corredor que liga Damasco à área costeira que concentra a minoria muçulmano alauita, um ramo do islamismo xiita do qual Assad faz parte.

"Quem controla Qusair controla o centro do país, e quem controla o centro do país, controla toda a Síria", disse o brigadeiro Yahya Suleiman, falando à TV Mayadeen, que tem sede em Beirute.

A TV do Hezbollah, a Al-Manar, mostrou um homem subindo ao relógio da torre na praça central, cravado de balas, para ali fincar uma bandeira síria, enquanto tanques e tropas se moviam pelas ruas.

"Nossas heroicas Forças Armadas voltaram a garantir a segurança e estabilidade a todos da cidade de Qusair", disse um comunicado divulgado pela televisão estatal síria.

A Coalizão Nacional Síria (CNFROS) afirmou em comunicado que "podem ocorrer massacres terríveis e coletivos se a comunidade internacional seguir como espectador".

Segundo a oposição, a falta de equilíbrio fez com que as forças do regime de Bashar al Assad, apoiadas pelo grupo xiita libanês Hezbollah, conseguissem se infiltrar em Qusair e controlar seus bairros.

Por isso, os rebeldes pediram à ONU e às potências internacionais que assumam a responsabilidade "de intervir de maneira rápida para proteger os civis e pôr um limite na prática de vingança sistemática de Assad, que derrama o sangue dos filhos do povo sírio". / EFE e REUTERS

Vídeo mostra soldados do Exército sírio em Qusair:

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.