Exército sudanês nega quebra de cessar-fogo em Darfur

O governo sudanês negou nesta segunda-feira que tenha quebrado o acordo de paz de Darfur, em resposta às acusações, sustentadas pelos grupos rebeldes, de que o exército teria atacado o norte da região matado mais de 60 pessoas.O porta-voz do exército, general Osman Mohamed al-Aghbash, chamou as acusações de "nulas e vagas". Al-Aghbash afirma que o exército está cumprindo o acordo de cessar-fogo."Nós estamos efetuando somente missões de defesa", disse o general, que se negou a especificar os tipos de ações.O tratado de paz, assinado no dia 5 de maio em Abuja, Nigéria, exige que o exército sudanês cesse todos os ataques em Darfur e desarme as milícias árabes conhecidas como Janjaweed, acusadas pela maioria das atrocidades cometidas no conflito que já deixou mais de 180 mil mortos e 2,5 milhões de desabrigados no oeste do Sudão desde 2003.Na segunda-feira, o principal líder rebelde que assinou o tratado de paz com Cartum, Minni Minnawi, confirmou que suas tropas foram atacadas na sexta-feira em sua base ao norte de Darfur.Minnawi disse que os comandantes de campo de seu Movimento de Liberação Sudanesa informaram que eles combateram rapidamente o exército sudanês, possivelmente ajudado pela Janjaweed, mas ninguém foi ferido de nenhum dos lados.Minnawi disse ser cético em relação à explicação que recebeu das autoridades sudanesas, segundo as quais as tropas estariam atrás de ladrões de carros.Antecipando uma possível alta da violência, o escritório da ONU no Sudão aconselhou a seus funcionários e a membros de organizações não-governamentais a limitar suas viagens na região. Em um relatório por e-mail, a ONU informou que o exército sudanês e a polícia combateram uma milícia de 100 homens no sul de Darfur na última quinta-feira. Sete homens da milícia foram mortos e dois presos, informou o relatório. A ONU disse que recebeu informações ainda não confirmadas de que dois homens do governo foram mortos no embate. Al-Aghbash se recusou a comentar o assunto.

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