Exército tenta apaziguar conflito étnico no Quirguistão

O Exército do Quirguistão fez hoje uma tentativa de retomar o controle da cidade de Osh, epicentro das manifestações e conflitos étnicos entre a população quirguiz e a minoria usbeque. Caminhões e veículos blindados foram estacionados na praça central e pelo menos cinco postos de checagem foram montados ao redor da cidade, mas há falta de combustível e outros suprimentos básicos. Relatos de cidadãos locais acusam o Exército de cometer saques na cidade e alimentam dúvidas sobre a capacidade do governo de restabelecer a ordem.

AE-AP, Agência Estado

16 de junho de 2010 | 20h16

Os confrontos já deixaram 189 pessoas mortas e 1.910 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde do Quirguistão. Um líder usbeque, no entanto, disse que mais de 300 usbeques já foram mortos. A onda de violência começou na quinta-feira à noite em Osh e se espalhou para áreas ao redor. Mais de 100 mil usbeques fugiram para o Usbequistão. Outras dezenas de milhares acampam no lado quirguiz da fronteira ou permanecem à espera para cruzá-la e seguir para um dos doze campos de refugiados do país.

No vizinho Casaquistão, guardas de fronteira proíbem usbeques étnicos de entrarem no Quirguistão e vão deportar cerca de 200 que cruzaram a fronteira nos últimos dias, disse Zaridjan Sultanov, líder usbeque em Bishkek. Não foi possível entrar em contado com funcionários de fronteira do Casaquistão para confirmar a informação.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem enviado ajuda humanitária para o Usbequistão, mas afirma que há falta de segurança ao longo de rotas pelo Quirguistão. Autoridades quirguizes disseram que cerca de 160 toneladas de ajuda foram enviadas para Osh e Jalal-Abad - outra cidade que sofreu sérios danos por causa dos confrontos. Mas há preocupações sobre se a ajuda está chegando aos necessitados.

Os Estados Unidos alocaram US$ 10 milhões em ajuda humanitária, afirmou a embaixada em Bishkek. Tantos os Estados Unidos quanto a Rússia têm bases aéreas no país devido à sua localização estratégica, mas elas estão no norte, longe dos conflitos. O Ocidente pediu ao Quirguistão que mantenha a realização de um referendo em 27 de junho sobre a Constituição e eleições parlamentares em outubro, apesar da violência.

Conflito planejado

A ONU declarou que o conflito foi "orquestrado, com alvo definido e bem planejado" e parece ter começado com cinco ataques simultâneos em Osh por homens usando máscaras de esqui. No entanto, a instituição não apontou culpados. Essa atitude amparou as afirmações do governo interino do Quirguistão de que agressores contratados pelo presidente deposto Kurmanbek Bakiyev saíram por Osh atirando tanto contra quirguizes como contra usbeques para inflamar as tensões.

Alguns especialistas acreditam que a violência pode ter raízes no tráfico de drogas. Membros do clã de Bakiyev já controlaram o fluxo de drogas na região, mas perderam o controle uma semana atrás com o assassinato do líder do grupo criminoso usbeque, disse Mars Sariyev, analista político de Bishkek. A cidade de Osh é uma rota de destaque para a heroína originada no Afeganistão.

O clã de Bakiyev pode ter ajudado a investigar a violência étnica numa tentativa tanto de enfraquecer o governo interino - que tomou o poder quando Bakiyev foi deposto em abril durante um levante sangrento - e para reconquistar o controle sobre o tráfico de drogas, disse ele.

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