Exército tira últimos rebeldes de mesquita no Paquistão

Mesquita Vermelha está toda sob controle, após operação que matou ao menos 90

Efe

11 Julho 2007 | 09h41

O Exército do Paquistão diz ter neutralizado nesta quarta-feira, 11, os últimos focos de resistência na Mesquita Vermelha, no Paquistão. Até esta manhã, apenas dois ou três radicais armados ainda resistiam no local, após a invasão que matou pelo menos 80 estudantes.   O porta-voz do Exército, Waheed Arshad, disse que os militares tomaram todas as instalações da Mesquita Vermelha e da escola corânica adjacente, de onde estão sendo retirados os corpos dos mortos na operação.   Embora o número oficial de mortos seja de 12 soldados e 79 militantes - nove deles nas últimas horas -, uma fonte dos serviços secretos paquistaneses que pediu para não ser identificada afirmou à Efe que se calcula que há 125 estudantes de ambos os sexos entre as vítimas.   A invasão militar da Mesquita Vermelha começou na madrugada de segunda para terça-feira, depois que fracassaram as negociações entre enviados do governo e os radicais entrincheirados no templo, liderados pelo clérigo Rasheed Ghazi. Ghazi morreu na terça-feira junto a vários militantes armados na Jamia Hafsa, a escola corânica adjacente à mesquita na qual estavam entrincheirados. Líder radical O governo anunciou nesta quarta que o corpo de Ghazi será levado a sua cidade natal, no distrito de Punjab, para que seja enterrado ali, mesmo com a oposição de seus familiares, que asseguram que o desejo do clérigo era ser enterrado em Islamabad, perto do túmulo de seu pai. A principal aliança da oposição do Paquistão, a islamita Muttahida Majilis-e-Amal (MMA), de orientação islâmica, declarou três dias de luto pelas vítimas do ataque. O grupo culpou o presidente Pervez Musharraf pelo fracasso das negociações para resolver a crise de forma pacífica. Ocupada por radicais islâmicos que defendem a implementação da lei islâmica (Sharia) no Paquistão, a Mesquita Vermelha foi sitiada pelos militares há uma semana. Os estudantes ocuparam o templo para exigir a implementação das lei islâmica, inspirados no regime radical que o grupo fundamentalista Taleban impôs no Afeganistão entre 1996 e em 2001. Após o esgotamento das tentativas de negociação, o complexo foi invadido no início de terça-feira. O Exército anunciou que nas próximas horas poderia permitir o acesso da imprensa à Mesquita Vermelha, assim que for encerrada a "fase final" da invasão da mesquita. Os jornalistas permaneceram afastados das instalações por ordem dos militares, que também restringem o acesso ao hospital para onde os feridos e os corpos foram levados.

Mais conteúdo sobre:
Mesquita Vermelha ocupação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.