Gamal Noman/AFP
Gamal Noman/AFP

Exército troca tiros com milícia nas ruas de Túnis

Militares prendem aliados do presidente Ben Ali, que teria fugido da Tunísia com 1,5 tonelada de ouro, segundo o serviço secreto francês

, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

A capital da Tunísia viveu ontem mais um dia de terror, com um intenso tiroteio no palácio presidencial e outro nos arredores do prédio do principal partido de oposição. A polícia anunciou a prisão de Ali Seriati, ex-chefe da guarda pessoal do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu do país na sexta-feira e está exilado na Arábia Saudita.

Segundo o serviço secreto francês, Ben Ali teria levado na fuga 1,5 tonelada de ouro. Pouco antes da partida, a primeira-dama Leila Trabelsi, teria ido à sede do Banco da Tunísia resgatar os lingotes. O total do carregamento valeria 45 milhões.

De acordo com informações de diplomatas em Paris, Ben Ali não deixou o país voluntariamente, mas foi obrigado a fugir pelo comando do Exército, que decidiu não mais atirar contra os manifestantes.

Desde sábado, mais de 50 pessoas foram presas sob suspeita de usarem ambulâncias, carros alugados e veículos dos serviços de proteção civil em tiroteios. Ontem, a troca de tiros começou quando um grupo de homens armados, leais a Ben Ali, passou atirando contra forças de segurança entrincheiradas no palácio presidencial. O ataque seria uma resposta à prisão de Seriati, que é acusado de conspiração contra a segurança do Estado.

Os principais líderes do país começaram ontem a negociar a formação de um governo de união nacional. Mais de cem pessoas já morreram nas últimas quatro semanas em protestos que culminaram com a queda de Ben Ali.

Analistas em todo o mundo aguardam para saber as consequências da revolução tunisiana e se o governo interino será capaz de estabilizar a Tunísia. Ontem, foram registrados protestos em vários países árabes.

No Egito, milhares de pessoas saíram às ruas do Cairo carregando bandeiras da Tunísia e cantando palavras de ordem contra o presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Na Jordânia, ativistas gritavam "A Tunísia está nos ensinando uma lição". No Iêmen, estudantes pediram a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no cargo.

/ AFP e AP

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