Exército turco bombardeia posições da guerrilha curda PKK

Turquia afirma que ação foi resposta a ataques; curdos reclamam de lutar contra o EI em Kobani enquanto Ancara tem atitude passiva

O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 12h33

ANCARA - Aviões militares turcos bombardearam na segunda-feira posições da guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, sigla em língua curda) no sudeste da Turquia. Segundo o Exército turco, a ação foi uma resposta a ataques por parte dos guerrilheiros a um quartel militar.

A agência privada Dogan noticiou que jatos F-16 turcos atingiram alvos do partido em Hakkari, próximos à fronteira com o Iraque.

O PKK mantém desde março de 2013 um cessar-fogo com o governo turco para conseguir avançar nas negociações de paz, mas a negativa de Ancara em permitir o envio de armas a curdos que combatem os jihadistas do Estado Islâmico (EI) na cidade síria de Kobani piorou a situação.

Em declaração divulgada nesta terça-feira, 14, autoridades militares turcas afirmam que foram atacadas por rebeldes na província de Hakkari e retaliaram do "modo mais forte". A versão é contestada pela agência de notícias Firat, ligada ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que afirma que os curdos foram atingidos por artilharia de militares por três dias e foram forçados a retaliar.

O ataque acontece em um momento de grande tensão na Turquia, em razão do avanço do EI em Kobani. Os curdos que vivem no país acusam o governo turco de ter uma atitude passiva em não permitir o envio de ajuda ou armas para auxiliar no combate aos jihadistas enquanto membros da etnia são mortos na cidade, sitiada pelos extremistas.

Nas últimas semanas, 422 guerrilheiros curdos chegaram ao hospital público de Suruç para serem tratados dos ferimentos sofridos na frente de batalha, informou a publicação Hürriyet nesta terça. Segundo uma fonte citada, as autoridades turcas identificaram entre os combatentes 40 membros do PKK.

Líderes curdos, incluindo o chefe do PKK, Abdullah Ocalan, que está preso, alertaram que a queda de Kobani encerrará o processo de paz. O governo turco rejeitou a responsabilidade pela cidade e declarou que "o PKK é tão terrorista quanto o Estado Islâmico".

Prisões. Nesta terça, a emissora CNNTürk afirmou que cerca de 270 combatentes das milícias curdas Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG, sigla em língua curda), que lutam em Kobani, foram detidos por autoridades turcas. Após uma breve greve de fome, cerca de 60 deles receberam nesta terça permissão para retornar à cidade.

"Viemos de Kobani através da passagem oficial, não de forma clandestina. No entanto, somos mantidos retidos aqui, mesmo após um interrogatório, e não podemos sair. Não sabemos o motivo", afirmou um dos combatentes ao jornal Zaman. / AP e EFE

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