AFP PHOTO / BULENT KILIC
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Exército turco ataca EI dentro do território da Síria

Com apoio da aviação turca integrada, tropas das unidades especiais do Exército cruzaram a fronteira para 'garantir a segurança na fronteira turca' e 'a integridade territorial da Síria'; Damasco qualificou ação de 'violação flagrante' de sua soberania

O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2016 | 09h14

ANCARA - O Exército da Turquia e facções armadas da oposição síria conseguiram tomar o controle da cidade de Jarabulus, na Província de Alepo, em uma operação militar nesta quarta-feira, 24, segundo informações da ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos. A incursão tinha o objetivo de expulsar o grupo Estado Islâmico (EI) no último reduto jihadista na fronteira síria com a Turquia, segundo Ancara. 

A ofensiva terrestre turca teve o apoio de grupos insurgentes e o respaldo aéreo da coalizão internacional, liderada pelos EUA, que luta contra os jihadistas. Tropas e tanques das unidades especiais do Exército turco cruzaram a fronteira com apoio da aviação turca e de fogo intenso de artilharia na fronteira. 

Fontes militares citadas pela agência turca Anadolu afirmaram que o objetivo da operação era “garantir a segurança na fronteira turca” e “a integridade territorial” da Síria. Concretamente, a incursão pretende evitar uma nova onda de refugiados, permitir a chegada de ajuda humanitária aos civis e “limpar a área de elementos terroristas”, informou a agência turca. O comunicado ressaltou ainda que um dos objetivos era expulsar grupos curdos da região. 

“Jarabulus está completamente livre”, afirmou à agência France Presse Ahmad Othmane, comandante de um grupo rebelde que fez parte da ofensiva. Um porta-voz de outro grupo rebelde declarou que os extremistas se retiraram na direção da cidade de Al-Bab, a sudoeste de Jarabulus. 

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, tinha adiantado na terça-feira que a Turquia "participaria da operação contra o grupo terrorista Estado Islâmico em Jarabulus" e também nas imediações do enclave curdo de Afrin.

O governo da Síria qualificou nesta quarta-feira de "violação flagrante" de sua soberania a ofensiva lançada pelo Exército turco. "A luta antiterrorista no terreno sírio de qualquer parte tem que ser coordenada com o governo sírio e o Exército sírio", disse uma fonte do Ministério das Relações Exteriores, citada pela agência oficial "Sana". A fonte também assegurou que "a luta contra o terrorismo não consiste em expulsar o EI e substituí-lo por outros grupos terroristas apoiados pela Turquia".

Contexto. A intervenção turca acontece em um momento no qual as Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança de milícias locais lideradas pelas Unidades de Proteção do Povo (YPG, sigla em curdo) e apoiada pelos Estados Unidos, avança rumo a Jarabulus, após expulsar o EI da cidade de Manbech, que fica 30 quilômetros mais ao sul.

 Turquia advertiu em várias ocasiões que não permitirá que as forças curdas expulsem o grupo terrorista Estados Islâmico do território que controla ao longo da fronteira turca. O objetivo citado de "garantir a integridade territorial da Síria" é uma referência à tentativa de impedir que se estabeleça uma região autônoma curda em todo o norte da Síria.

Um comunicado do escritório de informação do governo turco enviado à imprensa confirmou que "as Forças Armadas turcas e as forças aéreas da coalizão internacional lançaram uma operação militar com o objetivo de limpar o distrito de Jarabulus na província de Alepo da organização terrorista Daesh (acrônimo em árabe para Estado Islâmico)".

Por esse motivo, as autoridades da província de Gaziantep declararam uma "zona de segurança especial" ao longo da fronteira, onde a entrada da imprensa está proibida. Essa zona se estende do Rio Eufrates por cerca de 18 quilômetros rumo ao oeste e cobre uma faixa de aproximadamente 5 quilômetros de largura. / EFE, AFP e REUTERS

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