Exército Zapatista chega hoje a Cidade do México

Depois de percorrer 12 Estados mexicanos, os comandantes da guerrilha indígena zapatista "invadem" hoje a capital federal, com suas máscaras e (esperam) uma multidão de simpatizantes nas ruas. Será o clímax de uma marcha que, por duas semanas, colocou no centro das atenções do país a rebelião deflagrada há sete anos no miserável Estado de Chiapas, no sul do país. Na Cidade do México, os líderes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN, que toma o nome de Emiliano Zapata, líder revolucionário do início do século 20) pretendem visitar o Congresso para pressionar pela aprovação de uma lei sobre autonomia cultural e política para os indígenas - cerca de 10 milhões, em uma população da ordem de 100 milhões. E o líder zapatista mais conhecido no país e no mundo, o subcomandante Marcos - um dos poucos brancos no comando do EZLN -, avisa: os rebeldes só voltam para Chiapas com a lei aprovada. "Eles acham que somos uma moda passageira, que logo voltaremos para nossas casas e nossos empregos", discursou Marcos em um subúrbio montanhoso com vista para a capital. "Pois não vamos embora enquanto a Constituição não reconhecer os direitos e a cultura indígena." Marcos pediu aos simpatizantes dos zapatistas que lotem a praça central da cidade para acompanhar a caravana zapatista na esperada visita ao Congresso. A prefeitura, controlada por um partido de centro-esquerda no mínimo amigável ao EZLN, espera que uma multidão no Zócalo, não por acaso considerado o coração do país - para brancos e índios. Além das sedes do legislativo e do executivo, lá estão as ruínas dos templos de Tenochtitlán, a capital azteca conquistada pelos espanhóis no século 16. "Eles se equivocaram, há 500 anos, dizendo que nos descobriram, como se não o nosso mundo não existisse", disse Marcos. "E somos sempre nós que pagamos pelo erro: primeiro, matavam um índio e chamavam de ´evangelizar´; agora, chamam esse assassinato de ´modernização´." O presidente Vicente Fox, que tomou posse em dezembro prometendo fazer a paz com o EZLN, deu boas-vindas à caravana e convidou Marcos para visitar a residência oficial.

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