Exilados de Cuba protestam em Madri

Os 115 ex-presos políticos cubanos - mais 647 parentes e agregados - que se exilaram na Espanha entre 2010 e 2011 estão perdendo a ajuda que recebiam do governo espanhol. Revoltados, 22 deles acamparam diante do Ministério de Assuntos Exteriores espanhol, em Madri, na terça-feira. Insatisfeitos com a situação de "total desamparo", dez dissidentes anunciaram uma greve de fome na sexta-feira.

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h05

O pacto entre o governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero e o regime castrista previa que, por um ano em meio, cada núcleo familiar - composto por até cinco pessoas, em média - recebesse cerca de 1.200 ao mês. "Essa ajuda foi essencial e também um estímulo para que eles viessem", disse ao Estado Alejandro González Raga, porta-voz do Observatório Cubano de Direitos Humanos, com sede em Madri.

Ex-preso político que, detido durante a Primavera Negra de 2003, foi libertado por Havana cinco anos depois - e emigrou para a Espanha -, González explica que a crise econômica europeia "agravou muito" a situação desses cubanos. "Sem essa ajuda, falta até comida."

Os dissidentes, que denunciaram ter sido retirados "brutalmente" de seu acampamento na quinta-feira, mas retornaram ao local horas depois, dizem que pretendem trabalhar e, se a Espanha não consegue prover empregos, eles querem condições para buscar a vida em outros países europeus - 32 pessoas desse grupo deixaram a Espanha em direção aos EUA.

O secretário de Estado espanhol para a Ibero-América, Jesús García, disse que o governo do conservador Mariano Rajoy se esforça para analisar "necessidades individuais" de cada dissidente para tentar sua inserção. González disse que essa declaração aliviou muitos ex-presos, pois "eles sabem que há vontade" para solucionar sua situação. García, porém, afirmou que esses cubanos estão agora "em condições semelhantes à de qualquer espanhol ou imigrante legal".

González, de 53 anos, chegou à Espanha em fevereiro de 2008. Veio de Havana com outros três dissidentes presos na Primavera Negra, que resultou em 75 opositores do regime na cadeia. Em 2009, ano em que a ajuda mensal que recebeu do governo espanhol foi suspensa, González obteve autorização para trabalhar.

No entanto, segundo ele, somente em setembro do ano passado conseguiu emprego, como ajudante-geral em um hospital de Madri. O ativista - que cumpria 14 anos de prisão por "atentar contra a soberania nacional e a integridade territorial" de Cuba - afirmou que, após o dinheiro dado pelo governo federal ser cancelado, obteve da Comunidade Autônoma de Madri uma ajuda que garantiu a ele e sua família o sustento nos últimos anos. Outro recurso que a Espanha lhe ofereceu foi sua inserção em um programa de aluguéis populares que cobra entre 250 e 300 ao mês por moradia. / COM EFE

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