Exilados do Hamas são desafio a unidade política palestina

A liderança do Hamas que vive exilada em Damasco, na Síria, é hoje um desafio a mais na tentativa de políticos palestinos de atingir uma unidade na Autoridade Nacional Palestina. Analistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que a liderança em exílio - em especial Khaled Meshaal, um dos principais líderes do Hamas, baseado em Damasco - costuma ser mais ?linha dura? do que aqueles vivendo nos territórios palestinos.Aqueles baseados na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia já começam a dar mostras de estar dispostos a fechar posições com o Fatah, o partido do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.?Eles são mais duros porque não precisam estar submetidos à realidade de ter de negociar com outras facções e, após ter assumido o governo, tomar decisões sobre o dia-a-dia dos palestinos?, avalia o professor de estudos islâmicos da Universidade Americana de Beirute, no Líbano, Ahmad Moussali.Para o analista libanês baseado em Washington Walid Phares, as posições mais radicais do grupo de Khaled Meshal têm muita relação com a política do Estado que os hospeda.?A Síria pressiona as lideranças do Hamas que estão exiladas lá a manter a tensão sempre alta, mas para atender seus interesses políticos próprios?, avalia.UnidadeMas Phares acredita que isso não significa que haja ?dois Hamas?, um dos líderes exilados e outro dos líderes ainda em território palestino.?Como todos os grupos islâmicos,o Hamas é uma entidade centralizadora e disciplinada. Quando o grupo toma uma decisão, as facções seguem?, explica. ?Mas sem dúvida existe muita disputa e discussão até que a decisão seja tomada."Ahmad Moussali diz que a vitória do Hamas nas eleições legislativas em janeiro acabou aumentando muito a força das lideranças que estão nos territórios palestinos.?A parcela do Hamas que está em territórios palestinos tem mais interesse em conseguir uma solução negociada, pelo menos temporária, enquanto os exilados têm mais interesse numa intensificação do conflito?, diz.Ossama Hamdan, representante do Hamas em Beirute, diz que o grupo sempre teve e sempre terá objetivos unificados. ?Nosso objetivo é reconstruir nossa nação e defender os direitos dos palestinos?, disse. O militante negou que a liderança do Hamas no exterior tenha responsabilidade direta pelo seqüestro do cabo israelense Gilad Shalit e nem sabe onde o militar é mantido em cativeiro.?Os grupos armados e os comitês políticos do Hamas são independentes?, afirmou. O analista Ahmad Moussali duvida da versão de Hamdan e acha consistentes os relatos que aparecerem na mídia, acusando a liderança no exílio de ser a responsável pela decisão de não libertar o cabo Shalit. ?O Hamas nos territórios palestinos também quer confronto em Israel, mas em outra escala. Eles precisam manter o controle da situação?, acredita o pesquisador.PressãoIsrael está aproveitando a crise para colocar mais pressão também sobre os líderes exilados na Síria e sobre o próprio governo de Bashar al-Assad.Há relatos de que o líder sírio estaria também ouvindo pedidos de diplomatas internacionais para fazer com que a liderança do Hamas que mora em seu país consiga a libertação do cabo Shelit.Para intensificar a pressão, a Força Aérea de Israel mandou, na quarta-feira, dois aviões sobrevoarem a costa da Síria, na região onde o presidente al-Assad tem uma residência de verão.O sobrevôo aconteceu horas depois de o ministro da Justiça de Israel, Haim Ramom, ter dito que Khaled Mashaal - o poderoso líder político do Hamas exilado em Damasco - poderia ser assassinado ?por ter ordenado o seqüestro? do cabo Shalit.

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