Exilados tibetanos na Índia vão às ruas contra a China

Mais de mil exilados tibetanos protestaram hoje em Nova Délhi, capital da Índia, gritando slogans contra a China e pedindo a libertação do Tibete, algumas horas antes da cerimônia de abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim. Os manifestantes gritavam "Tibete Livre" e "Abaixo a China" e exibiam bandeiras tibetanas e uma longa faixa, na qual estava escrito: "O tempo está mais curto, parem a Olimpíada". Também houve protestos na Turquia e em Hong Kong. O protesto na capital indiana contou com um forte policiamento e não registrou incidentes graves, embora mais cedo centenas de exilados tibetanos tenham tentado invadir a Embaixada da China. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que então se concentraram em outro ponto central da cidade. Mais de duas mil pessoas também protestaram contra a China e a favor do Tibete na cidade de Dharmsala, no norte da Índia. A sede do governo tibetano no exílio fica nesta cidade, bem como a residência do líder espiritual do Tibete, Dalai Lama. Os manifestantes lembraram que a dura repressão chinesa ao Tibete vai contra os princípios olímpicos. "Enquanto a China mostra ao mundo o seu progresso com uma grande cerimônia de abertura, no Tibete alguns milhares de patriotas estão na prisão, apenas porque praticaram a liberdade de expressão," disse Chimi Youngdrung, chefe do Partido Nacional Democrático do Tibete, um dos vários grupos tibetanos baseados em Dharmsala.Dalai Lama tem sido rechaçado pelas autoridades chinesas, que culpam o líder espiritual pela recente rebelião no Tibete e o acusam de tentar separar a região do resto da China. Mesmo assim, Dalai Lama não aderiu aos pedidos de boicote dos Jogos Olímpicos, ao dizer que apóia o fato da China hospedar os jogos. Na quarta-feira, o líder espiritual emitiu um comunicado oferecendo "saudações à República Popular da China, aos organizadores e aos atletas que participarão dos Jogos Olímpicos de Pequim".Turquia e Hong Kong Em Ancara, capital da Turquia, um homem cobriu o próprio corpo com gasolina e tocou fogo, em protesto contra a repressão chinesa aos turcos uigures, que formam a maior parte da população da província chinesa de Xinjiang, na fronteira com o Afeganistão. Outros manifestantes pularam sobre o homem em chamas e conseguiram apagar o fogo, disse um fotógrafo da Associated Press que assistiu à cena. Os manifestantes usaram um extintor para ajudar a apagar as chamas. O homem, identificado pela associação local dos turcos uigures como Mehmet Dursun Uygurturkoglu, de 35 anos, foi levado ao hospital com queimaduras de segundo grau na cabeça, pescoço e braços. Um médico do hospital Numune de Ancara disse que ele não corre risco de vida.Em Hong Kong, um cidadão britânico foi detido hoje, após desfraldar bandeiras em uma ponte, que denunciavam o histórico de violações de direitos humanos na China. Outros quarenta manifestantes gritaram slogans instando o regime de Pequim a ser mais democrático. Matt Pearce, um britânico de Bristol que vive há vários anos em Hong Kong, fixou duas faixas na ponte Tsing Ma, nas quais escreveu "Nós queremos direitos humanos e democracia" e "O povo da China quer liberdade da opressão."

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