Exilados tibetanos negam ter começado protestos

Exilados tibetanos de váriastendências negaram que alguém de fora do Tibet tenha coordenadoos protestos dos últimos dias na região, contrariando asacusações chinesas de que os distúrbios foram "organizados,premeditados e planejados" no exterior. "O que posso dizer? São acusações infundadas", disse com umriso nervoso Tenzin Taklha, porta-voz do Dalai Lama, líderespiritual exilado dos tibetanos. Na terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao,disse que "o grupo do Dalai" provocou os protestos. "Começou com apenas um ou dois incidentes. Graças àtecnologia, graças ao boca-a-boca, a notícia rapidamente seespalhou. Foi muito espontâneo", disse Taklha. Estes são os maiores distúrbios em quase duas décadas noTibet. De acordo com os exilados, trata-se de um movimentoespontâneo de um povo há décadas oprimido e consciente daatenção que despertará no mundo por ocasião da Olimpíada deagosto em Pequim. "Sei que as pessoas não conseguem acreditar que não hácoordenação, mas não há", disse Lhadon Tethong, diretora da ONGEstudantes por um Tibet Livre, em entrevista na sede do grupo,na localidade indiana de Dharamsala, a "capital" do Tibet noexílio. Mas ninguém nega que haja contatos furtivos entre osexilados, a maioria radicados na Índia, e os tibetanos queficaram na região. Em geral, são telefonemas entre parentesseparados pelo Himalaia. Nos últimos dias, monges budistas de Dharamsala chegaram achamar jornalistas para se reunirem em torno de telefonescelulares e ouvirem as vozes ansiosas vindas do Tibet. Muitos tibetanos conseguem ouvir rádio, inclusive osprogramas em idioma tibetano feitos pela comunidade exilada. Mas em geral esses contatos servem apenas para dar àspessoas no Tibet a confiança de que suas ações não passarãodespercebidas, segundo os exilados. Qualquer coisa maiscoordenada que isso iria chamar a atenção das autoridadeschinesas. "Os tibetanos de dentro sabem o que está acontecendo nomundo exterior", disse Tethong, enquanto suas jovens colegas seocupavam colocando na Internet um vídeo dos protestos, em sitesque elas esperam que não tenham ainda sofrido a censura doregime comunista. "Existe esse ciclo: eles fazem as coisas dentro, isso nosinspira, fazemos as coisas fora, e isso se retro-alimenta. Oschineses podem ter nos dividido por enquanto, mas somos umacomunidade."

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