Exílio é a única saída para mais de 240 jornalistas desde 2001

Zimbábue, com 48 profissionais no exílio, lidera lista dos 10 países com mais casos

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h08

O exílio foi a única saída que mais de 240 jornalistas encontraram desde 2001 para escapar da violência, das ameaças de morte e do assédio que sofriam em seus países, segundo um estudo do Comitê de Proteção do Jornalista. O relatório, publicado na terça-feira, 19, pela organização, com sede em Nova York, revela que pelo menos três jornalistas por mês se viram obrigados a abandonar seus países desde 2001. A Colômbia aparece como um dos cinco países com maiores ameaças à imprensa. Nos últimos seis anos se exilaram, segundo a entidade, 243 jornalistas de 36 países. A metade saiu do Zimbábue, Etiópia, Eritréia, Colômbia e Uzbequistão. Zimbábue, com 48 jornalistas no exílio, lidera a lista dos 10 países com mais casos registrados pelo estudo. Em seguida vêm Etiópia, com 34; Eritréia, com 19; Colômbia, com 17; e Uzbequistão com 16. Colômbia No caso da Colômbia, o estudo do Comitê de Proteção do Jornalista cita o testemunho da repórter Jenny Manrique. Ela abandonou o país no ano passado em conseqüência das ameaças que recebeu de grupos paramilitares. As milícias da região de Bucaramanga, onde vivia a jornalista, não gostaram das suas reportagens. Primeiro, ela precisou se mudar para Bogotá, e depois teve que a abandonar o país. "Quando vi que tinham descoberto onde eu vivia em Bogotá e comecei a receber telefonemas com ameaças a meus entes queridos, decidi que devia me calar. Soube que tinha que deixar meu país", diz Manrique no relatório elaborado por Elizabeth Witchel e Karen Phillips. As duas integrantes do Programa de Assistência ao Jornalista da organização destacam no estudo que apenas um de cada sete jornalistas que se exilaram retornaram para seu país de origem. Foram 34 casos desde 2001. Assim, o número atual de exilados é de 209. Causas dos exílios Segundo o estudo, as três principais causas que levam ao exílio são as ameaças de violência ou morte (94 casos), a prisão ou sua possibilidade (76) e o assédio (73) em conseqüência do trabalho jornalístico. Os dados alertam para as poucas oportunidades dos exilados para exercer o jornalismo nos países onde recebem asilo. Apenas 30% encontram algum trabalho relacionado com o jornalismo. "Assim, o trabalho daqueles que buscam o silêncio da imprensa dá resultado", diz no estudo o diretor do Comitê de Proteção do Jornalista, Joel Simon. Os países que receberam maior número de exilados desde 2001 são Estados Unidos (72), Reino Unido (24), Quênia (21) e Canadá (20). O Comitê de Proteção do Jornalista começou a fazer um acompanhamento dos jornalistas exilados em julho de 2001, quando iniciou um programa de assistência.

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