Êxodo de refugiados já chega a cerca de 30 mil

Fluxo de pessoas deixando a Líbia por causa de protestos é o maior desde o início das revoltas no Norte da África, apontam dados da Cruz Vermelha

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em apenas quatro dias, pelo menos 30 mil pessoas escaparam pelas fronteiras terrestres da Líbia, no maior fluxo de imigração desde o início das revoltas no Norte da África. Os dados são da Cruz Vermelha que indica que a crise na Líbia ameaça desestabilizar a região.

Os números por enquanto não falam de líbios deixando o país. Grande parte desse contingente seria de tunisianos e egípcios que trabalhavam na Líbia. Cerca de 15 mil já teria cruzado a fronteira com a Tunísia, entre eles 1.000 egípcios, 340 líbios e o restante de tunisianos. Na fronteira com o Egito, seriam cerca de outros 15 mil.

Mas na ONU a estimativa é de que, se o conflito interno for mantido, o fluxo de pessoas começará a ganhar proporções ainda maiores. "A situação é muito grave ainda no Egito e na Tunísia", alertou Mona Rishwani, representante de Direitos Humanos da ONU. "Se agora vamos contar com um fluxo migratório relevante, o risco é de que a turbulência volte a se proliferar."

Outra preocupação é com as centenas de milhares de africanos na Líbia. A avaliação é de ele que não tenham dinheiro para fugir. Segundo a Cruz Vermelha, muitos passaram a ser alvos de violência da polícia e de manifestantes, que os acusam de ser mercenários a serviço de Kadafi.

Números. Tanto a ONU como a Cruz Vermelha insistem que não havia ontem barcos de refugiados cruzando o mar rumo à Itália. Mas, na Europa, o temor de uma imigração em massa abriu uma velha polêmica. A Itália alertou ontem que 1,5 milhão de refugiados poderiam cruzar o Mediterrâneo diante da violência e pediu que cada um dos 27 países da UE assuma uma cota de refugiados. No entanto, a Alemanha, a Grã-Bretanha e países escandinavos rejeitaram a ideia, acusando a Itália de estar "exagerando" nos números.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Antonio Guterres, também alertou que os números italianos eram exagerados e os reais problemas estão com a Tunísia e Egito, países que fazem fronteira com a Líbia que abriram suas fronteiras. A Comissão Europeia também rejeitou os número e lembrou que, no caso da Tunísia, a crise criou um fluxo de 6 mil refugiados, e não de milhares. No pior cenário, a UE estima que a Europa receberia 300 mil refugiados - mas apenas se uma guerra civil longa eclodisse. Suécia e Bélgica também rejeitaram a proposta, enquanto a ministra do Interior da Áustria, Maria Fekter, indicou que, na guerra da Bósnia, lidou sozinha com os refugiados.

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