Expansão de colônias judaicas 'não contribuem para a paz', diz Obama

Presidente americano critica decisão de Israel de construir novas casas em Jerusalém Oriental

estadão.com.br

09 de novembro de 2010 | 11h07

JACARTA - O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira, 9, que a decisão das autoridades israelenses de construir novas casas nos assentamentos judaicos em áreas predominantemente árabes de Jerusalém Oriental "não contribui com processo de paz no Oriente Médio.

 

Veja também:

linkUE pede a Israel revogação da medida

especialInfográfico: As fronteiras da guerra no Oriente Médio

forum Enquete: Qual a melhor solução para o conflito?

especial Linha do tempo: Idas e vindas das negociações de paz

 

"Esse é o tipo de atividade nunca contribui quando há negociações diretas. Preocupo-me com o fato de que cada parte não tome providências para que sejam criadas condições para Israel viva em paz junto de uma Palestina soberana", disse o presidente em Jacarta, na Indonésia, onde se encontra em visita oficial.

 

Na segunda-feira, o Comitê de Planejamento e Obras do Distrito de Jerusalém publicou detalhes do programa de expansão de colônias ao longo do final de semana que preveem construções em Jerusalém Oriental, região da cidade sagrada reclamada como capital do futuro Estado palestino.

 

Os planos incluem 983 casas em Har Homa e outras 42 perto de Belém. Ainda são previstas 320 moradias em Ramot, ao norte. Essas são as primeiras licitações de Israel para novas casas depois do fim da moratória decretada no ano passado, que paralisou as construções por 10 meses e expirou no último dia 26 de setembro.

 

Por ocasião do anúncio de Israel, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ressaltou que é "vital" que sejam retomadas as negociações de paz com os palestinos, atualmente estagnadas devido à não renovação da moratória. A chefe de diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, pediu a revogação da medida.

 

O jornal israelense Haaretz publicou reportagem nesta segunda indicando que um empresário tem planos de construir 800 casas no assentamento judaico de Ariel, no coração do território ocupado palestino da Cisjordânia.

 

A construção das novas casas ainda devem ser autorizadas pelo do Comitê de Planejamento Urbano da colônia e não exigem a autorização do Ministério da Defesa de Israel porque o terreno é de propriedade privada, algo pouco frequente nos assentamentos.

 

A atribuição dos terrenos está contemplada no plano original do assentamento de Ariel no fim dos anos 70 e o empresário tem caminho liberado para fazer com eles o que desejar, informa o Haaretz.

 

Os anúncios devem piorar ainda mais a relação entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), já que toca em um assunto polêmico entre as negociações de paz - a ocupação em Jerusalém Oriental, região da cidade sagrada reclamada como capital do futuro Estado palestino. Após meses de paralisação, as negociações diretas entre as duas partes foram retomadas em setembro, embora não tenha ocorrido nenhum avanço substancial.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, ANP, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a ANP governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.