Expansão do extremismo preocupa europeus

Relatório divulgado por departamento da UE diz que continente precisa lidar de forma 'urgente' com fenômeno para evitar 'risco de desestabilização'

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h03

A Europa precisa lidar de forma urgente com a expansão de movimentos extremistas - de todas as tendências - se não quiser ser confrontada com um risco real de violência e desestabilização política nos próximos anos. O alerta foi feito pelo Departamento de Coordenação da Luta Contra a Violência e o Terrorismo da União Europeia (UE).

Em um documento enviado a ministros de Justiça dos 27 países do bloco, a UE confirma que movimentos de extrema esquerda, extrema direita e vinculados ao radicalismo islâmico ganham espaço e precisam ser contidos.

"Estamos numa encruzilhada da história europeia", disse Emine Bozkurt, chefe da bancada antirracista do Parlamento Europeu. "Em pouco anos vamos descobrir se esse incremento do ódio - seja por ultranacionalistas, islamofóbicos ou antissemitas - levou a uma divisão da sociedade ou se fomos capazes de lutar contra essa tendência alarmante", disse.

Pela conclusão da UE, com base em relatórios de inteligência de vários governos, a crise econômica que assola a região há dois anos, a taxa recorde de desemprego entre jovens, a manipulação política da imigração e mesmo a Primavera Árabe criaram condições para o fortalecimento desses grupos.

Nos últimos meses, a questão envolvendo o fortalecimento do extremismo entrou na agenda política do continente, especialmente depois do massacre promovido pelo norueguês Anders Behring Breivik. Mas a constatação dos especialistas é que cada movimento que ganha espaço tem sua própria lógica e precisa ser combatido de uma forma radicalmente diferente. O principal alerta: o assassinato de 77 pessoas na Noruega não foi um fato isolado, nem limitado a uma tendência ideológica. Na Áustria, um recente relatório preparado pelo Ministério da Justiça confirmou um aumento de 31% nos incidentes registrados com grupos de extrema direita. No total, registraram-se 1040 casos em 2011, dos quais um terço foi de "violência física".

Esquerda. Para o chefe do Departamento, Gilles de Kerchove, a violência da extrema esquerda vem sendo alimentada pela proliferação de cortes de gastos sociais. "Precisamos estar conscientes de que as condições econômicas adversas na Europa poderão produzir terreno para a proliferação de ideologias violentas de esquerda e anarquistas", afirmou Kerchove.

O principal alvo desse tipo de violência seria a Grécia, justamente o país mais afetado pela crise, que conta com um dos movimentos de extrema esquerda mais bem organizados da Europa. Na Itália e na Suíça, grupos anarquistas chegaram a enviar cartas-bomba a alvos específicos, criando um temor de que esses movimentos já não estariam apenas teorizando sobre eventuais ataques, mas passando à ação.

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