Expatriados viram alvo de disputa

Estima-se que 3 milhões de americanos votem em 220 países, com a maior proporção deles na Grã-Bretanha

Adriana Carranca, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2008 | 00h00

Com a disputa voto a voto nas eleições de amanhã, a participação dos 6,6 milhões de americanos que vivem fora dos EUA - população maior do que a de pelo menos 24 Estados americanos - pode ser crucial. Às vésperas da disputa à Casa Branca, partidários de Barack Obama na Grã-Bretanha, que tem a terceira maior comunidade americana do mundo, evitaram o clima de "já ganhou" e conclamaram todos os expatriados a não deixar de participar.Eles não querem correr o risco de repetir 2004, quando George W. Bush venceu no Colégio Eleitoral, mesmo com os democratas à frente nas pesquisas de intenção de votos. Na época, a confiança na vitória fez muitos expatriados não se darem ao trabalho de votar.Organizações como a Overseas Vote Foundation (OVF), de apoio a eleitores no exterior, estimam que mais de 3 milhões votem em 220 países neste ano - a maior proporção deles na Grã-Bretanha, que reúne 350 mil americanos com idade para votar. Em 2004, apenas 992 mil se registraram. "Os democratas estão conscientes de que cada voto é crucial", diz Colin McNulty, de 24 anos, que estuda sociologia em Londres e votará pela primeira vez fora dos EUA. Dos primeiros 90 mil eleitores que a OVF ajudou a se registrar, 70% votariam pela primeira vez no exterior. A participação é maior dos eleitores dos Estados-chave. Na Flórida, 8% dos que votarão neste ano vivem no exterior - são 250 mil votos. Em 2000, Bush venceu o democrata Al Gore por apenas 537 votos no Estado. Estudante em Londres, Graham Saunders, de 22 anos, votou em Bush em 2004 e em Obama há duas semanas. "Há quatro anos estávamos sob o impacto do 11 de Setembro. Hoje sei que meu voto foi um erro e quero corrigi-lo", diz. Garantir o voto de expatriados sempre foi um desafio. Em 2004, só 30% das cédulas chegaram a tempo da contagem. Este ano, o Departamento de Defesa dos EUA investiu mais de US$ 1 milhão em sites para ajudar eleitores a se registrarem e tornou possível fazer o download da cédula na internet. Mais de 10 milhões já visitaram a página. Em 2004, foram 7 milhões. E tanto republicanos quanto democratas investiram como nunca para atrair esses votos. A Grã-Bretanha recebeu a visita dos dois candidatos. No fim de semana, os dois partidos organizaram eventos e fizeram campanha no centro da cidade, universidades e bares. "Os dois lados se deram conta de que 6,6 milhões de eleitores podem fazer a diferença", diz Bill Barnard, da organização Democrats Abroad britânica.

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