Expectativa por reunião de Grupo de Amigos da Venezuela agita Quito

Muito mais do que a posse do novo presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, da frente de esquerda comandada pela Sociedade Patriótica 21 de Janeiro, o que chama a atenção, em Quito, é a expectativa pela realização do primeiro encontro para formar o Grupo de Países Amigos da Venezuela, uma iniciativa brasileira de solidariedade ao país vizinho, paralisado por uma greve que dura 45 dias.A reunião deverá ocorrer por volta das 15h locais (18h em Brasília) de amanhã, sob o comando do secretário-geral daOrganização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gaviria, queestá tentando mediar as partes em conflito.A idéia de criação do grupo foi sugerida pelo próprio presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua passagem por Brasília no início do mês e adotada pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.Os Estados Unidos, que a princípio criticaram a iniciativa do Brasil e depois a copiaram, enviarão um emissário - Kurt Struble-, que ainda não se sabe se participará da reunião ou apenas terá um encontro com o presidente Hugo Chávez e com o ministrodas Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.De acordo com informações de diplomatas, o envio de Struble visa a amenizar a posição radicalmente contrária a Chávez assumida pelo representante dos Estados Unidos para a AméricaLatina, Otto Reich.Por mais que o governo do presidente norte-americano George W. Bush tenha pretendido apossar-se da proposta brasileira de criar o grupo, cujo objetivo é ajudar Gaviria a encontrar uma saída pacífica e constitucional para a crise venezuelana, a investida dos Estados Unidos não convenceu os países vizinhos. Todos os jornais e redes de televisão do Equador atribuem ao presidenteLula a busca de uma solução para a Venezuela.Por enquanto, todos os envolvidos na iniciativa evitam fazer alarde sobre a reunião, que deve ocorrer amanhã, no Suisshotel, onde ficarão quase todas as delegações estrangeiras. Mas,extraoficialmente, os diplomatas admitem que o encontro ocorrerá que a proposta foi do Brasil e que a partir de agora deverá ser oficialmente comandada por Cesar Gaviria.O Grupo dos Países Amigos da Venezuela apoiaria os esforços da OEA e de Gaviria para se encontrar uma solução pacífica para a crise e evitar uma guerra civil do povo venezuelano, como se teme.O chanceler Celso Amorim já fez contatos com os governantes dos países da América Latina e dos Estados Unidos. Com ironia, chegou a dizer que não cobrará royalties de ninguém e que a entrada dos norte-americanos no grupo é muito bem-vinda.O príncipe-herdeiro da coroa espanhola, Felipe de Bourbon, que está em Quito para a cerimônia de troca de governo do Equador,também aderiu à proposta brasileira. Ele pretende conversar comrepresentantes do governo de Portugal, que seria chamado a fazerparte do grupo.O chanceler venezuelano Roy Chaderton disse, durante pouso técnico em Bogotá, a caminho de Quito, que seu governo vê commuitos bons olhos "a proposta brasileira, embora não saiba quais países participarão do movimento. O Grupo de Países Amigosda Venezuela, especialmente amigos da democracia, nos ajudaria a superar a crise", disse o chanceler, citado por um jornal equatoriano. Para ele, a entrada dos Estados Unidos no grupo é significativa.

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