AFP PHOTO
AFP PHOTO

Experiência do deportado, um ativo no México

Prefeito que mira presidência quer usar cidadãos expulsos dos EUA em funções qualificadas

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 05h00

O prefeito da Cidade do México, Miguel Angel Mancera, está colocando em prática um plano para transformar a capital do país em uma “cidade-santuário” para imigrantes deportados pelos Estados Unidos sob o governo do presidente Donald Trump. Mancera, que tem aspirações de suceder o presidente Enrique Peña Nieto nas eleições deste ano, quer usar a experiência dos imigrantes no mercado de trabalho americano para diminuir o déficit de mão de obra qualificada na cidade. 

Em discurso no Congresso americano na terça-feira, Trump - que prometeu construir um muro na fronteira para impedir a chegada ao país de imigrantes ilegais - disse que os deportados eram membros de gangues, narcotraficantes e criminosos que ameaçam as comunidades americanas. Apesar disso, dados do Ministério do Trabalho do México indicam que em média, quem retorna ao país após ter emigrado para os Estados Unidos tem dez anos de experiência profissional. 

‘A maioria das pessoas que estão sendo deportadas são mão de obra produtiva, falam inglês, têm experiência e disciplina para aumentar a competitividade da Cidade do México”, disse a secretária do Trabalho de Mancera, Amalia García Medina. “Estamos nos preparando para um aumento nas deportações.”

A ministra negocia com líderes empresariais da cidade a criação de pelo menos 2,5 mil postos de trabalho na cidade para acolher esses imigrantes. O perfil de vagas disponíveis também será levado em conta. No aeroporto da cidade, a prefeitura criou um escritório para atender os deportados. Ele inclui assistência para encontrar trabalho e um seguro de US$115 por seis meses. 

Muro. Enquanto o México se prepara para receber imigrantes expulsos por Trump, o projeto do republicano para impedir a chegada de novos ilegais está ameaçado por falta de verba. O início rápido da construção, prometido na campanha de Trump e num decreto emitido em janeiro sobre segurança nas fronteiras, deveria ser financiado, segundo a Casa Branca, com fundos existentes no Departamento de Segurança Interna.

Contudo, até agora, o departamento identificou apenas US$ 20 milhões que podem ser redirecionados para o projeto de vários bilhões de dólares, segundo um documento preparado pela agência e distribuído aos funcionários do Congresso recentemente.

Um documento obtido pela Reuters informa que os fundos seriam suficientes para cobrir alguns contratos para protótipos do muro, mas não para começar a construção de uma barreira real. Isso significa que para que a estrutura avance, a Casa Branca precisará convencer o Congresso a destinar fundos.

Um relatório interno, divulgado anteriormente, havia estimado que o muro completo ou a vedação de toda a fronteira sul custaria US$ 21,6 bilhões. O muro foi uma das principais promessas de campanha de Trump.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.