Experiências dos EUA na Guatemala mataram 83

Pelo menos 83 pessoas morreram em experiências médicas secretas realizadas pelos Estados Unidos na Guatemala durante a década de 1940, concluiu uma comissão especial nomeada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para investigar o caso.

Agência Estado

29 de agosto de 2011 | 19h21

Os autores do relatório concluíram que quase 5,5 mil pessoas foram submetidas a exames e um total de 1,3 mil guatemaltecos foram infectados com doenças venéreas em um programa conduzido pelo National Institutes of Health, agência ligada ao Departamento de Saúde dos EUA, entre 1946 e 1948.

O caso foi descoberto em 2010 pela historiadora Susan Reverby, do Wellesley College. Ela pesquisava sobre ensaios clínicos realizados pelo médico norte-americano John Cutler quando encontrou documentos sobre as experiências na Guatemala.

Cutler e outros pesquisadores norte-americanos usaram cobaias humanas, inclusive doentes mentais, para descobrir se a penicilina poderia ser usada para prevenir doenças sexualmente transmissíveis. Inicialmente, eles inocularam gonorreia e sífilis em prostitutas e as estimularam a manter relações sexuais com soldados, detentos e doentes mentais.

Quando soube das experiências, Obama anunciou a criação de uma comissão especial para investigar o caso e fez um pedido de desculpas formal, por telefone, ao presidente guatemalteco, Álvaro Colom. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, descreveu os testes como "desumanos" e "antiéticos".

Colom, que não sabia de nada, classificou as experiências norte-americanas na Guatemala como "crimes contra a humanidade" e ordenou que o país realizasse sua própria investigação sobre o caso. O presidente guatemalteco estuda levar o caso aos tribunais internacionais. Algumas vítimas e seus familiares decidiram processar o governo dos EUA. As informações são da Dow Jones.

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