Explode comércio de ópio no Afeganistão

Nenhuma autoridade afegã foi até a casa de Haji Khudi Noor dizer a ele para desistir de seus negócios no movimentado mercado de ópio de Kandahar. Também não passou por ali nenhum agente humanitário estrangeiro para ensinar a ele outra forma de sustentar as 35 pessoas de sua família. Até que uma dessas coisas aconteça - ou até mesmo as duas -, Khudi Noor diz que a nova proibição ao ópio no Afeganistão teve pouco impacto sobre a nova explosão da droga no país. "Está crescendo em todo o lugar, por todos os cantos", diz Khudi Noor, cercado de colegas que vendem o narcótico e concordam com suas palavras. "Todo o país está neste negócio." "Devo sustentar minha família. Mas de que forma?", questiona. "Vou parar com isso para não fazer nada?", pergunta Khudi Noor. No início do mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para o crescimento da comercialização do ópio no Afeganistão, que produziu 75% do ópio mundial até que o mulá Mohammad Omar praticamente destruiu todas as plantações de papoula e anulou a comercialização do ópio no país enquanto liderou o regime Taleban. Acompanhado de perto pelas potências internacionais e pelos doadores estrangeiros, o governo interino pós-Taleban, liderado pelo primeiro-ministro Hamid Karzai renovou - e redobrou -, em 16 de janeiro, a proibição imposta pelo regime deposto não apenas à papoula; Karzai proibiu a produção e o tráfico de qualquer tipo de entorpecente. Os fazendeiros afegãos recordam-se das proibições do Taleban. De tempos em tempos, dizem eles, o mulá Omar enviava helicópteros para arrasar as plantações de papoula e enforcava aqueles que cultivavam a planta, matéria-prima para a produção do ópio. Até 2001, o Taleban havia conseguido reduzir em 95% a produção do ópio no território controlado pelo regime. Mas os magnatas do ópio podem ter um poder que transcende os regimes transitórios. Até agora, há poucos sinais de que o inexperiente governo esteja aplicando a nova proibição ao ópio. E se alguma informação sobre a repressão ao cultivo e à venda chegou aos ouvidos dos fazendeiros, então eles estão desesperados o bastante para arriscar. "Se tivéssemos alguma ajuda hoje, destruiríamos com prazer todas essas plantações amanhã", disse o fazendeiro Naqeeb Ullah. "Ficaríamos felizes se pudéssemos parar, pois o trabalho é duro, e o dinheiro não é muito. Mas não temos alternativa", conclui. Leia o especial

Agencia Estado,

25 Janeiro 2002 | 17h05

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