Daniel Leal-Olivas/AFP
Daniel Leal-Olivas/AFP

Exploração de atentado a faca em Londres afeta imagem de Boris Johnson

Premiê do Partido Conservador é acusado por opositores de usar o ataque para fins políticos, a poucos dias de novas eleições no Reino Unido

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 22h02

LONDRES - O ataque terrorista a faca feito na última sexta-feira na London Bridge, por um ex-jihadista em liberdade condicional, Usman Khan, que deixou dois mortos e três feridos, ganhou ares políticos no fim de semana em um Reino Unido que passará por mais uma eleição em menos de 10 dias, em meio ao imbróglio do Brexit

O primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, recebeu duras críticas por ter tentado explorar as mortes de dois jovens ativistas. Jack Merritt de 25 anos, e Saskia Jones, de 23, participavam de um ato sobre reinserção de presos quando foram esfaqueados.

A oposição culpou o premiê pelas falhas de segurança e Johnson atribuiu o ataque a uma política de liberdade antecipada a condenados por terrorismo que, segundo ele, se consolidou durante um governo do Partido Trabalhista, sob o comando do ex-primeiro ministro Tony Blair (1997-2007).

Johnson enfrentará o atual líder trabalhista, Jeremy Corbyn, nas eleições do dia 12, em busca da renovação do parlamento para uma possível aprovação de seu plano para o Brexit. No fim de semana, ele disse que os conservadores mudarão a lei apresentada pelos trabalhistas que permitiu a libertação do agressor da Ponte de Londres. 

"A soltura dele foi necessária sob a lei por causa da soltura antecipada automática prevista, sob o qual ele foi julgado, e isso foi apresentado pelo (Partido) Trabalhista com o apoio de Jeremy Corbyn e o resto do Partido Trabalhista", disse Johnson em entrevista no domingo. 

Na verdade, Khan foi preso em 2012 sob uma sentença apelidada de Proteção Pública Indeterminada (sigla IPP em inglês), aprovada sob o governo do conservador David Cameron. Um recurso apresentado em 2013 resultou na substituição da IPP por uma sentença de 16 anos, e Khan foi liberado em 2018, após ter cumprido metade da pena. 

Homenagem também em tom político

Nesta segunda, a homenagem às vítimas em Londres também ganhou repercussão política. O trabalhista Sadiq Khan, primeiro prefeito muçulmano da capital, afirmou em clara retaliação a Johnson que "o melhor modo de vencer esse ódio não é nos enfrentando uns contra os outros, mas nos concentrando nos valores que nos unem". 

Acompanhado de Johnson e Corbyn, além de integrantes de serviços de emergência, um minuto de silêncio foi feito no local do atentado. Na cidade de Cambridge, uma cerimônia também foi realizada para os familiares de Jones. 

"Generosa ao ponto de querer sempre ver o melhor em cada um", disse a família, a jovem recentemente havia encaminhado sua candidatura para entrar na polícia, para "se especializar no apoio às vítimas". 

Ainda no domingo, o pai de Merritt escreveu em sua conta no Twitter, em rechaço a Johnson e aos tabloides britânicos. "Não use a morte do meu filho, e fotos suas e de seus colegas - para promover sua propaganda vil. Jack se posicionava contra tudo que vocês defendem - ódio, divisão, ignorância", disse David Merritt. / AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.