Reprodução/AP
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Explosão com dezenas de mortos põe em xeque cessar-fogo na Síria

Forças do governo e opositores culparam-se mutuamente pelo ataque

BBC Brasil, BBC

26 de abril de 2012 | 16h52

HAMA - Uma explosão nesta quarta-feira, 25, na cidade de Hama, oeste da Síria, voltou a lançar dúvidas sobre a eficácia do plano de paz mediado pela ONU no país. Mais de 70 pessoas podem ter morrido no incidente, no que pode ter sido mais uma violação do cessar fogo estabelecido entre opositores e forças leais ao regime de Bashar al-Assad.

Ninguém assumiu a autoria do atentado e ambas as partes se acusam mutuamente. Também há divergência de informações. Diferente dos oposicionistas, que mencionam mais de 70 mortos, a imprensa estatal fala em 16 vítimas.

Durante todo o dia, o noticiário sírio mostrou imagens de crianças feridas em um hospital da região, acusando oposicionistas de detonar as bombas acidentalmente.

A versão é diferente da oposição, que acusa as forças de Assad de bombardear, por meio de um míssil, o distrito de Masha at-Tayyar, no sul de Hama.

Logo após o ataque, os opositores sírios postaram um vídeo na internet em que mostravam um cenário de devastação, com corpos sendo retirados dos destroços.

Segundo relatos de testemunhas, 13 crianças e 15 mulheres estão entre os mortos.

O Conselho Nacional Sírio, órgão de oposição, reivindicou uma reunião de emergência com o Conselho de Segurança da ONU para "definir uma resolução para proteger os civis".

De acordo com estimativas levantadas pelos opositores, mais de 100 pessoas foram mortas em Hama nos últimos dias.

Violência contínua

Introduzido no início de abril, após mediação do ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o cessar-fogo não evitou a onda de violência que tem sido verificada na Síria, inclusive em cidades onde estão os observadores da ONU.

Na última quarta-feira, o chanceler francês, Alain Juppé, afirmou que o Conselho de Segurança deveria considerar o uso da força no país para assegurar o plano de paz de Annan.

O plano reivindica a retirada das tropas e de armas pesadas das cidades sírias.

No dia anterior, Annan já havia declarado que as forças do governo continuavam nas cidades do país. Na ocasião, o enviado especial da ONU considerou a permanência dos militares como "totalmente inaceitável e repreensível".

Segundo ele, as tropas entraram em Hama após a saída dos observadores da ONU na última segunda-feira e realizaram execuções sumárias como punição a quem tivesse relatado qualquer ato de violência aos enviados do organismo internacional.

A ONU estima que 9 mil pessoas morreram desde que os protestos contra Assad começaram em março de 2011.

O governo sírio, por outro lado, avaliou até fevereiro a quantidade de mortos em 3.838 pessoas - sendo 2.493 civis e 1.345 militares.

Ajuda russa

Nesta quinta-feira, o líder da Frente Popular para Mudança e Libertação, órgão de oposição ao governo sírio, Qadri Jamil, reuniu-se com o presidente do comitê para assuntos internacionais do Conselho da Federação russa, Mikhail Margelov, em Moscou.

Ao fim do encontro, Jamil elogiou o posicionamento da Rússia que, segundo ele, está "desempenhando um importante papel, ao prevenir a interferência externa".

"A Rússia está ajudando não só a estabelecer a cooperação entre o governo e a oposição, mas também ao estabelecer a cooperação entre a oposição síria", afirmou.

Já Margelov optou por não declarar apoio oficial a nenhum dos dois lados. Segundo ele, a posição da Rússia é para que os dois lados interrompam o combate e garantam o cessar-fogo.

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