Explosão de bombas mata ao menos 82 na Nigéria

O alvo de um dos atentados era o ex-presidente nigeriano Muhammadu Buhari, principal adversário do presidente Goodluck Jonathan nas eleições de 2011

O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2014 | 16h10

 KADUNA - Duas explosões de bomba na cidade de Kaduna, no norte da Nigéria, mataram pelo menos 82 pessoas nesta quarta-feira, 23. Segundo autoridades locais, os ataques têm a marca do violento grupo islamita Boko Haram.

Um homem-bomba que tinha como alvo um clérigo muçulmano matou 32 seguidores dele em uma movimentada área comercial no centro da cidade, disseram testemunhas. Pouco depois, um segundo atentado matou 50 pessoas no superlotado mercado Kawo, declarou um funcionário da Cruz Vermelha que estava no local e não quis revelar seu nome.

Horas depois, o filho do líder oposicionista e ex-presidente nigeriano Muhammadu Buhari disse que o comboio em que o pai dele viajava era o alvo do atentado no mercado Kawo. Segundo ele, seu pai não ficou ferido. Buhari foi o principal adversário do presidente Goodluck Jonathan nas eleições de 2011.

No outro atentado, milhares de pessoas estavam reunidas à espera das orações com o xeque Dahiru Bauchi na Praça Murtala Muhammed, em Kaduna. Quando o comboio dele surgiu, um homem-bomba tentou se jogar contra ele, mas foi detido por seus seguranças, disseram policiais e testemunhas. "O ataque tinha o xeque como alvo. Ainda não foi feita nenhuma prisão", disse o comissário de polícia Shehu Umar. A bomba não feriu Bauchi.

Nenhum grupo assumiu de imediato a responsabilidade por esses ataques, mas o Boko Haram promoveu atentados, especialmente com explosivos, na mesma região nos últimos três meses. O grupo frequentemente ataca líderes muçulmanos ou imãs que criticam sua ideologia radical de linha salafista.

O Boko Haram vem lutando para estabelecer um Estado islâmico na Nigéria e tem atacado seguidamente civis, sobretudo no remoto Estado de Borno, no nordeste do país. Segundo a ONG Human Rights Watch, o Boko Haram matou mais de 2 mil civis no primeiro semestre. / REUTERS 

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