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Explosão de caminhão-tanque deixa ao menos 60 mortos no Haiti

O veículo bateu durante a madrugada e uma multidão tentava retirar combustível quando houve a explosão. Autoridades locais dizem que o número de mortos ainda deve aumentar.

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 12h21
Atualizado 14 de dezembro de 2021 | 13h37

PORTO PRÍNCIPE - Ao menos 60 pessoas morreram e várias ficaram feridas após a explosão de um caminhão-tanque na madrugada desta terça-feira, 14, na cidade haitiana de Cap-Haitien, segundo um balanço provisório feito pelo governo local. De acordo com as autoridades, o caminhão bateu e uma multidão correu para extrair a gasolina no momento em que ele explodiu.

“É a primeira vez desde que sou bombeiro em mais de 17 anos que vivencio uma catástrofe dessas”, disse Frandy Jean, 49, chefe dos bombeiros do norte do Haiti ao jornal The New York Times. “Em termos de corpos que contamos e colocamos em sacos contabilizamos, estamos com cerca de 50 no momento e aumentando”.

Durante a manhã, o vice-prefeito de Cap-Haitien, Patrick Almonor, confirmou que o prognóstico do chefe do corpo de bombeiros. "O número de mortos aumentou. Temos agora 60 mortos", afirmou o político haitiano, dizendo que as buscas continuam no local.

O primeiro-ministro Ariel Henry, escrevendo no Twitter , confirmou que a explosão e o incêndio resultante mataram e feriram várias pessoas. Ele disse que equipes médicas estavam sendo enviadas para o local e declarou luto oficial por três dias.

Quase 20 residências próximas sofreram incêndios após a explosão, de acordo com Almonor, o que permite prever um balanço maior de vítimas. "Ainda não temos condições de anunciar detalhes sobre o número de vítimas dentro das casas", disse.

O hospital Justinien, para onde foram transportadas muitas vítimas da explosão, está lotado com o fluxo de feridos, muitos deles em estado crítico. "Não temos os recursos para atender as muitas pessoas com queimaduras graves", afirmou à AFP uma enfermeira. "Temo que não vamos conseguir salvar todos", disse.

À Reuters, o prefeito Pierre Yvrose pediu ajuda com recursos para os hospitais. “Precisamos de recursos humanos, e também de recursos materiais, ou seja, soro, gaze e qualquer coisa que possa ser usada em caso de queimaduras graves”, disse.

Escassez de combustíveis

O Haiti, país mais pobre da América Latina, enfrenta uma escassez de combustíveis porque grupos criminosos dominam parte da rede de abastecimento.

Desde julho, quando o presidente Jovenel Moïse foi assassinado , a ilha caribenha sofreu um terremoto devastador e inundações repentinas , desastres que deixaram mais de 2.000 mortos e muitos mais feridos e desabrigados. Os desastres naturais foram agravados pela pobreza, fome e violência crescente .

Nos últimos meses, a grave escassez de combustível empurrou o país ainda mais fundo no colapso, à medida que gangues, e não o governo, assumiram o controle de grandes áreas do país.

Muitas pessoas e empresas no Haiti dependem de geradores de energia. As gangues se aproveitaram da necessidade de combustível, sequestrando caminhões-tanque à vontade. Muitos caminhoneiros se recusaram a trabalhar em outubro, uma greve nacional que paralisou o país./AFP, REUTERS E NYT

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