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Explosão de carro bomba deixa 13 mortos no nordeste da Síria

Região tem sido alvo de conflitos entre Turquia e curdos, após tropas americanas deixarem a região; governo turco responsabilizou milícias curdas pelo ataque

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2019 | 16h55

ISTAMBUL – Um carro bomba explodiu deixando 13 mortos em uma cidade no nordeste da Síria, próxima a fronteira com a Turquia, informou o Ministério da Defesa turco.

De acordo com o órgão, outras 20 pessoas ficaram feridas quando a bomba explodiu em Tal Abyad, cidade dominada desde o mês passado por grupos de oposição apoiados pela Turquia, tirando as forças lideradas pelos curdos.

O ministério responsabilizou as tropas sírias apoiadas pelos curdos pelo ataque, afirmando que o condena veemente e que clama para que a comunidade internacional tome um posicionamento contra essa “organização cruel de terror”. Não houve uma reivindicação imediata do ataque.

No mês passado, a Turquia invadiu o nordeste da Síria para tirar grupos armados sírios apoiados pelos curdos, considerados terroristas por causa da insurgência curda na Turquia, responsável por atentados nas décadas de 1980 e 1990.

Mais cedo neste sábado, as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, afirmaram que combatentes cristãos vão supervisionar a segurança no nordeste da Síria, que tem sido palco de confrontos entre tropas apoiadas pela Turquia e milícias apoiadas pelos curdos.

Combatentes apoiados pela Turquia têm avançado no nordeste da Síria desde o mês passado, levando ao deslocamento de ao menos 200 mil pessoas.

Houve preocupação em relação à população de vilarejos cristãos em relação à possibilidade de soldados apoiados pela Turquia cometerem atrocidades, já que, entre eles, há ex-jihadistas. As SDF disseram que a transferência vai ocorrer em vilarejos próximos a cidade de Tal Tamr, na região do rio Khabur. A área abriga as comunidades cada vez menores dos cristãos síriacos e assírios.

O anúncio foi feito um dia depois da Turquia e da Rússia lançarem patrulhas conjuntas no nordeste da Síria, sob um acordo que havia interrompido a ofensiva turca contra forças sírias apoiadas pelos curdos, forçados a deixarem o comando da região da fronteira.

Apesar da trégua ter durado, falhou após acusações de violações de ambos os lados e embates ocasionais. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou retomar a ofensiva caso julgue necessário.

Os Estados Unidos haviam se unido aos combatentes sírios apoiados pelos curdos, seus principais aliados na guerra contra o Estado Islâmico (EI). A relação desgastou os laços entre os EUA e a Turquia, ambos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Após uma decisão abrupta e amplamente criticada do presidente Donald Trump de retirar tropas americanas do nordeste da Síria, as forças curdas se aproximaram ao governo sírio e à Rússia para proteção. Tanto tropas da Síria quanto da Rússia avançaram nas cidades ao longo da fronteira. / AP

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