Explosão de carro-bomba em funeral mata 27 em Damasco

Governo acusa oposição pelo atentado, enquanto rebeldes afirmam que Assad tramou o ataque para culpá-los

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h02

A explosão de um carro-bomba na periferia de Damasco matou ontem 27 pessoas que participavam de um velório. O atentado ocorreu no bairro de Jaramana, de maioria favorável ao regime de Bashar Assad, no momento em que as Forças Armadas acentuavam a repressão aos oposicionistas na capital e em Alepo, no norte do país.

Até a noite de ontem, ninguém havia reivindicado a autoria do ataque, que causou uma troca de acusações entre governo e rebeldes. Além dos mortos, pelo menos 48 pessoas ficaram feridas, conforme informações da imprensa estatal síria.

Segundo o grupo opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, o ataque ocorreu em meio ao funeral de dois partidários de Assad, em uma região de maioria cristã e drusa. O governo acusou o Exército Sírio Livre (ESL) pelo atentado, enquanto os rebeldes disseram que o regime lançou o ataque para jogar a opinião pública contra os dissidentes.

As mortes são mais um sinal da radicalização do conflito armado na Síria, incluindo a periferia de Damasco, que o regime afirmava estar sob seu controle. Ontem, uma nova ofensiva das forças de Assad foi realizada em Al-Ghouta, na periferia da capital, onde atuariam grupos de elite do ESL.

Os bairros de Harasta, Irbine, Zamalka, Qaboun, Jobar, Ain Tarma e Al-Hjeira também foram alvos do Exército. Nas operações, foram usados tanques e helicópteros, o que teria causado uma fuga maciça da população civil.

Outro foco de ataques foi novamente Alepo, o segundo mais importante centro urbano do país. Ao todo, 37 pessoas morreram ontem, segundo a OSDH. Enquanto os combates não dão trégua, o vice-presidente da Síria, Farouk al-Shareh, afirmou que "o fim da violência passa por todas as partes em conflito", o que considera a condição para "um diálogo nacional" e para o fim dos enfrentamentos.

Al-Shareh não aparecia em público haviaum mês, o que levantou rumores sobre sua deserção. Apesar do sinal dado pelo vice-presidente sírio, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Mouallem, afirmou ontem que o governo não abrirá negociações com o Conselho Nacional Sírio (CNS) nem com outros grupos oposicionistas até que o país seja "completamente liberado" das atividades rebeldes.

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