Explosão de carro-bomba mata sete na Ossétia do Sul

Comandante diz que mortos eram soldados da Rússia e outros sete ficaram feridos em ataque contra quartel

Agências internacionais,

03 de outubro de 2008 | 11h11

Um carro-bomba explodiu perto de uma base da Rússia na província separatista da Ossétia do Sul, matando sete pessoas e ferindo três nesta sexta-feira, 3. A explosão, confirmada pelo governo ossetiano apoiado pelos russos, ocorre em meio à tensão entre Moscou e Tbilisi. A Geórgia acusou os serviços secretos russos pelo atentado; o governo russo e o governo da província separatista da Ossétia do Sul acusaram a Geórgia. Nenhuma das partes, até agora, ofereceu provas que confirmassem as acusações.   O chefe das forças militares russas na Ossétia do Sul informou que todos os mortos eram membros de uma força de mantenedores de paz russa sediada ali, segundo a agência Interfax. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que "o último ato de terrorismo na Ossétia do Sul prova que a Geórgia não abandonou a política de terrorismo de Estado", segundo a Interfax. Também presidente de turno da União Européia, Sarkozy foi o principal mediador de um acordo de trégua entre a Rússia e a Geórgia em setembro.   O Ministério de Relações Exteriores russo condenou o "crime" e afirmou que a intenção do ataque era minar os esforços pela paz e a segurança na Ossétia do Sul e na Geórgia. Contudo, não havia indicação de que a Rússia abandonaria a promessa de retirar seus mantenedores de paz de uma faixa do território que circunda a Ossétia do Sul, na próxima semana.   O presidente da província separatista, Eduard Kokoity, qualificou a explosão como "um ato terrorista direcionado" e afirmou que o serviço de segurança georgiano estava por trás do ataque, segundo a agência Itar-Tass. Porém não foram fornecidas provas do suposto envolvimento da Geórgia, que negou participação no atentado.   Um pouco mais tarde nesta sexta-feira, autoridades da Geórgia acusaram os serviços secretos russos de serem os autores dos ataques, embora não tenham apresentado provas. A acusação partiu do ministro do Interior da Geórgia. As autoridades russas, por sua vez, dizem que a Geórgia maquinou e executou o atentado.   A tensão continua na Geórgia, após uma breve guerra entre o país e a Rússia em agosto. O conflito começou quando forças georgianas atacaram a Ossétia do Sul. Os russos reagiram, forçando a saída das tropas da Geórgia da província e tomando posições dentro do território georgiano.   Em seu site, o governo da Geórgia afirma que o carro explodiu perto do edifício usado pelos líderes dos mantenedores de paz russos. O carro havia sido confiscado em uma vila de georgianos étnicos, pois foram encontrados armamentos dentro dele. Kokoity disse que o veículo havia sido "adquirido em território georgiano" e levado às proximidades do edifício ocupado pelos mantenedores de paz na capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. Porém o atentado gerou dúvidas sobre por quê as instalações militares russas seriam postas em risco, ao se levar para perto dali um veículo suspeito, cheio de explosivos.   Kokoity disse que havia soldados e civis entre os mortos. Porém o chefe dos mantenedores de paz russos, general Murat Kulakhmetov, afirmou que todos eram soldados russos, segundo a Interfax.   A explosão ocorre durante o processo de substituição das tropas russas por mantenedores de paz da União Européia. Pelo acordo de cessar-fogo, a Rússia deve se retirar do entorno da província no meio da próxima semana, mas Moscou pretende manter 3.800 soldados na própria Ossétia do Sul. Os Estados Unidos e a UE argumentam que isso fere o acordo.   Após a guerra com a Geórgia, a Rússia reconheceu como independentes as províncias georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia. A medida também foi condenada pelo Ocidente.   Matéria atualizada às 17 horas.

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