REUTERS/Feisal Omar
REUTERS/Feisal Omar

Ataque a hotel na Somália deixa ao menos 23 mortos e 30 feridos

Grupo extremista Al-Shabab, que luta para impor sua rígida interpretação da a lei islâmica no país, reivindicou autoria do atentado cometido com caminhão-bomba do lado de fora do hotel Nasa-Hablod, frequentado por ministros, deputados e líderes empresariais

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 17h14
Atualizado 28 Outubro 2017 | 21h15

MOGADÍSCIO - Um ataque suicida com um caminhão-bomba do lado de fora de um popular hotel na capital da Somália, Mogadíscio, seguido por uma intensa troca de tiros entre os agressores e a polícia deixou ao menos 23 mortos e 30 feridos, neste sábado, 28, informou a polícia. 

Artigo: Somália, Gaza, Capão Redondo

Outras duas explosões na capital somali também foram registradas neste sábado, uma delas quando um terrorista suicida detonou um colete-bomba, mas não há relatos de vítimas nestes casos. O grupo radical islâmico Al-Shabab reivindicou a autoria do ataque e disse que seus combatentes ainda estavam dentro do hotel Nasa-Hablod.

O Nasa-Hablod é frequentado por ministros de governo, por deputados e líderes empresariais da Somália. O ataque foi cometido apenas duas semanas depois do atentado mais mortífero da história do país, que deixou 358 mortos.

Em declarações à Associated Press na noite deste sábado, o capitão Mohamed Hussein afirmou que 30 pessoas, incluindo funcionários do governo, foram resgatadas durante a troca de tiros com os extremistas no interior do hotel, localizado próximo ao palácio presidencial. Hussein informou também que três dos cinco responsáveis pelo ataque foram mortos pelas forças de segurança. 

Entre as vítimas da ação deste sábado estariam uma mulher e seus três filhos, incluindo um bebê, que teria sido baleado na cabeça. O ex-deputado Abdinasir Garane, um comandante da polícia e um ex-ministro de governo também teriam morrido no atentado.

+ Relembre: Imagens mostram a dimensão do ataque que deixou 358 mortos na Somália

Mohamed Dek Haji, que sobreviveu ao ataque, disse que estava ao lado de um carro, que ficou completamente destruído, quando o veículo-bomba foi detonado. Ele relatou ter visto ao menos três homens vestidos com uniformes militares correrem em direção ao hotel depois da explosão.

"Acredito que eram combatentes do Shabab que tentavam invadir o hotel", disse Haji, do hospital para onde foi socorrido. Ele sofreu ferimentos leves em seus ombros e cortes na cabeça em razão dos estilhaçamento de vidros na região.

Quem estaria por trás do mega atentado na Somália?

Testemunhas de ataques anteriores na Somália disseram que é comum os combatentes do Al-Shabab se disfarçarem de militares. O grupo, responsável por ataques parecidos na longa guerra civil do país, luta para derrubar o governo da Somália - que tem apoio da comunidade internacional - para impor sua rígida interpretação da Sharia, lei islâmica.

Funcionários de segurança somalis disseram que o suicida que detonou o caminhão no ataque deste sábado estacionou perto de uma das entradas do hotel e fingiu que o veículo tinha quebrado antes de acionar os explosivos. / AP e NYT

Mais conteúdo sobre:
Somália [África]terrorismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.