National Defence Secretary/Handout via REUTERS
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Número de mortos em explosão de oleoduto no México sobe para 79

Tragédia ocorreu no momento em que moradores tentavam roubar gasolina da tubulação

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2019 | 04h59
Atualizado 20 de janeiro de 2019 | 13h12

CIDADE DO MÉXICO - A explosão em um oleoduto na madrugada do sábado, 19, matou 79 pessoas na cidade de Tlahuelilpan, no México. Foi a pior tragédia do tipo desde que uma fábrica clandestina de fogos de artifício explodiu em Celaya, deixando 73 mortos, em 1999. O acidente ocorreu no momento em que o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, realiza uma cruzada contra o roubo de combustíveis no país.

A tragédia começou a se desenhar na tarde de sexta-feira, quando moradores de Tlahuelilpan, no Estado de Hidalgo, arrebentaram um oleoduto para extrair a gasolina de maneira rudimentar. Nem a presença do Exército impediu que multidão recolhesse o combustível que vazava da tubulação. Pouco mais de duas horas depois, veio a explosão. 

Obrador prometeu intensificar os esforços para erradicar o contrabando de combustível. “Por mais que doa, temos de seguir com os planos para acabar com esta prática. Não podemos parar”, disse o presidente.

Em dezembro, Obrador lançou uma operação de repressão ao roubo de combustível e ordenou o fechamento temporário de dutos para interromper os desvios ilegais de bilhões de dólares da petroleira estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), afundada em dívidas.

O principal alvo são os grupos conhecidos como “huachicoleros”, que atacam os milhares de quilômetros de oleodutos que atravessam o país, principalmente na zona rural. A gasolina roubada, mais barata, criou um mercado alternativo de combustível. Para os cofres do Estado, porém, o contrabando custa US$ 3,14 bilhões, segundo estimativas do governo.

Com o fechamento dos oleodutos mais vulneráveis aos roubos, o combustível passou a ser transportado por caminhões escoltados, em um processo lento e logisticamente complicado. Com isso, segundo a Pemex, houve atrasos na entrega de gasolina em postos de combustíveis, causando escassez e filas – muita gente correu para estocar combustível, o que piorou a crise. 

Para especialistas, a estratégia pode ter reduzido o roubo no curto prazo, mas é insustentável. Asael Nuche, diretor de gestão de riscos da Etellekt, consultoria que estuda o problema, disse em coluna publicada no jornal El Heraldo de Mexico que as ações do governo têm custo alto e não são seguras. “Não existe método de transporte mais eficiente e econômico que os oleodutos”, escreveu. “Logo, a única opção viável é retomar o controle deles.”

Apesar de os empresários estimarem que a medida já tenha causado um prejuízo de US$ 60 milhões, Obrador parece convencido que encontrou a solução. “Estamos longe de terminar a luta contra o roubo de combustível”, disse. “Vamos continuar até o fim.”

Hoje, no entanto, imagens de vídeos mostraram moradores em correria para encher galões com combustível vazado em meio a vítimas queimadas, o que levantou questionamentos sobre como Obrador tem lidado com a questão, uma de suas promessas desde que assumiu o cargo, em 1.º de dezembro. / AP, NYT, REUTERS e EFE 

 

 

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