Explosão demográfica nos EUA aumentará produtividade do país

William Frey, demógrafo do Brookings Institution, afirma que efeito é comparável ao do 'baby boom' do pós-2º Guerra

RENATA TRANCHES, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2015 | 02h03

Os EUA passam por uma explosão demográfica tão importante para sua economia como foi o "baby boom" na segunda metade do século passado. A avaliação é do demógrafo e pesquisador do Instituto de Políticas Metropolitanas do Brookings Institution, William Frey. Em entrevista ao Estado, o especialista diz que a maioria branca americana está cada vez menor e dependente das minorias étnicas, essenciais para o futuro do país.

Segundo o Censo americano, os EUA serão uma nação de minorias a partir de 2044. Os números mostram que, a partir dessa data, os brancos serão 49,7% da população, enquanto o restante será composto por 25% de hispânicos, 12,7 % de negros, 7,9% de asiáticos e 3,7% de um grupo multirracial.

Frey explica que há dois fatores para entender essa projeção. O primeiro é que a população branca começará a decair rapidamente a partir de 2026. O outro é que uma população jovem formada por minorias crescerá de forma acelerada. "O que é algo positivo para o país, porque sem essa população teríamos uma lacuna demográfica", disse.

O demógrafo, autor do livro Diversity Explosion - How New Racial Demographics are Remaking America (Explosão de Diversidade - Como a Nova Demografia Racial está Transformando os EUA, em tradução livre), compara esse período com o conhecido como baby boom nos EUA. "Assim como ele ajudou a tornar o país produtivo, na segunda metade do século 20, essa explosão de diversidades fará o mesmo pelos EUA."

No entanto, esse processo tem um preço. Os conflitos decorrentes do choque de gerações e diferenças étnicas - brancos e velhos, de um lado, jovens de grupos étnicos minoritários, de outro - já são notados. Partem, principalmente, da dificuldade da parte branca da população em aceitar que os EUA estão se tornando cada vez mais um país diversificado. "(Esses jovens) não são parentes, filhos ou netos dessa parte da população. Levará um tempo até ela se acostumar com esse fato", disse Frey.

A atual tensão racial pode ser explicada, em parte, por esse choque de gerações. Segundo Frey, em alguns locais que registraram conflitos, a presença de minorias é lago novo para a população branca e mais velha. "Algumas partes dos EUA já se acostumaram com isso e tentam proativamente evitar esse tipo de conflito. Governos locais e departamentos de polícia precisam compreender o que está ocorrendo, o valor dessas pessoas. Até que haja esse entendimento, veremos alguns episódios como esse (a morte de negros por policiais brancos)."

O pesquisador argumenta, porém, que esses choques são comuns àqueles lugares que recebem novas pessoas. "Tivemos isso nos EUA, há centenas de anos, quando chegaram os imigrantes da Itália e da Polônia, e se misturaram com os que já estavam aqui, os anglo-saxões e outros europeus. Eventualmente, deu tudo certo."

Na opinião de Frey, agora é ainda mais importante que a integração dos imigrantes ocorra com sucesso. "A principal questão não é quem ou quantos deveriam vir, mas como os tratamos quando eles chegam aqui. Para isso, é preciso líderes políticos, pessoas que venham a público e digam que isso é importante, prioritário para nosso país."

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