EFE|EPA|STR
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Explosão durante comício na Etiópia deixa mais de 150 feridos

Primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed estava discursando no local

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2018 | 11h37

Uma pessoa morreu e mais de 150 outras ficaram feridas após uma explosão neste sábado (23) durante um comício na presença do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed no centro da capital Adis Abeba.

Diante de milhares de pessoas reunidas na praça Meskel, Abiy acabava seu discurso e cumprimentava a multidão quando uma explosão aconteceu, provocando pânico entre as pessoas. O primeiro-ministro deixou rapidamente o palanque após a explosão. O ministro da Saúde, Amir Aman, revisou o balanço de vítimas: há um morto e 154 feridos, incluindo 10 em estado crítico.

Abiy estimou que o incidente havia sido planejado por grupos que procuram desacreditar este encontro e mais amplamente o seu programa de reformas. "Todas as vítimas são mártires do amor e da paz", declarou Abiy, segundo a rádio-televisão Fana Broadcast Corporate, próxima ao governo.

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Arega explicou que a explosão foi provocada por uma granada, lançada por pessoas ainda não identificadas, "cujo coração está cheio de ódio".  Um dos organizadores do evento, Seyoum Teshome, explicou que viu uma briga perto do palanque e alguém tentar jogar a granada nesta direção. "Neste momento, quatro policiais se apressaram e neste momento a granada explodiu", declarou à AFP.

Tratava-se do primeiro discurso público em Addis Abeba de Abiy depois de sua nomeação para o cargo em abril, e tinha um caráter bastante simbólico em sua campanha para explicar suas reformas.

Desde que tomou posse, depois de mais de dois anos de manifestações contra o governo que resultaram na queda de seu antecessor Hailemariam Desalegn, Abiy tem impulsionado grandes mudanças no país, libertando vários opositores presos e iniciando um processo de liberalização econômica.

Este comício começou de forma tranquila. Os espectadores acenavam bandeiras da Frente de Libertação Oromo (OLF), um grupo armado rebelde, e uma versão antiga da bandeira etíope, símbolo dos protestos contra o governo.

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A polícia, que no passado prendia qualquer um que estivesse em posse dessas bandeiras, não interferiu desta vez.

Em seu discurso, Abiy, vestindo uma camiseta verde e chapéu, expressou sua gratidão à multidão e elogiou as virtudes do amor, da harmonia e do patriotismo. "A Etiópia voltará ao topo e as fundações serão o amor, a unidade e a união", declarou ele.

Após a explosão, dezenas de pessoas subiram ao palco e começaram a jogar vários objetos contra a polícia, gritando "Abaixo Woyane" ou "Woyane ladrão", referindo-se ao apelido pejorativo usado para descrever o governo, segundo o jornalista da AFP no local.

Alguns espectadores iniciaram brigas e pedras foram jogadas contra os jornalistas, que tiveram que se abrigar. As forças de segurança preferiram não intervir, abstendo-se de conter as pessoas no local.

Após estes incidentes, a calma parecia voltar aos poucos, mas dezenas de milhares de pessoas continuavam a cantar e expressar seu descontentamento com as autoridades, enquanto os organizadores do encontro tentavam recuperar o controle da situação./ AFP

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